A Idade sem Razão

No timeline dispensado pelo Oxford Philosophy Dictionary, o último acontecimento digno de nota foi a morte de Derrida em 2004. Esta cronologia (sumária, entenda-se), assinala de forma breve os acontecimentos filosóficos e publicações essenciais numa coluna e, em correlação, os eventos históricos e políticos na outra. Visto de longe, assim trocado por miúdos, esta tabela tem o peso de uma revelação.

Se este quadro sofre de desconsideração pelos filósofos vivos ou apenas de falta de atualização, não sei. Na verdade, é inevitável considerar que o recuo histórico depende do avanço cientifico, social e tecnológico. O tempo é, a todos os níveis, a única medida certa da História. No entanto, esta agenda filosófica revela um evidente desfalque intelectual que tem privado um mundo mal-informado e doente, de uma grande fonte de respostas para as suas questões existenciais.

Numa época em que se derrubam governos à força da mentira contada muitas vezes pela comunicação social e redes, o desaparecimento das Ciências, com as quais partilham o sobrenome, do radar do cidadão comum é preocupante. É verdade que o mundo académico faz o que pode como se verifica pelo aproveitamento das novas tecnologias ao serviço da partilha de conhecimento, mas é muito complicado convencer "mais que os mesmos" que agora é que os ensinamentos de Platão, Einstein, Hobbes ou Kohler davam jeito.

Deixei-me de surpreender com a forma que tomam as discussões que temos com os outros sobre temas como política, futebol, religião, arte ou sexo. O fundo (dessas formas), não mudou, nem está em vias de mudar. Pior: agora não temos ninguém para nos ajudar a perceber as nuances da sua cor negra. Ou alguém que nos explique o porquê de dissolvermos em absoluto as nossas pequenas histórias e filosofias, sem direito a data no calendário, na ácida sentença única e liminar que os outros tem de nós e nós deles.

A sociedade sem o questionamento e o ensinamento eficaz das ciências que a estudam, é apenas o laboratório dos ricos e poderosos, fazendo de todos nós cobaias na experiência do lucro máximo, o único objectivo de quem mandou os filosofos para o banco de suplentes.

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