É preciso nascer 253 mil vezes para ser mais sério do que Cavaco

"Se não sabiam, era porque não queriam saber."

Para Daniel Oliveira, quem recebeu dinheiro do BES durante a campanha para a reeleição de Cavaco Silva "podia não ter provas de que aquelas pessoas eram um veículo de um financiamento empresarial", mas "era impossível não notar a coincidência de dez conhecidos quadros da mesma empresa estarem a entregar valores idênticos e próximos do limite legal" - 25 mil euros cada um.

Ao todo, o Espírito Santo ofereceu 253 mil euros à campanha do ex-chefe de Estado graças ao contributo de dez altos responsáveis do banco, que depois foram reembolsados através do chamado Saco Azul.

"A cobardia e a falta de lealdade são dois traços de personalidade do ex-presidente": confrontado com a investigação do DCIAP, atirou as culpas para um colaborador, condena Daniel Oliveira.

"E depois da cobardia e da deslealdade, vem a mentira." Em sua defesa, Cavaco Silva diz que nunca foi amigo de Ricardo Salgado, mas a relação entre ambos é próxima desde os anos 1960.

No tempo em que os dois jantaram à mesma mesa com as respetivas mulheres, na casa do banqueiro, "Ricardo Salgado tinha mel. Agora tem lepra".

Diz Cavaco Silva que "é preciso nascer duas vezes" para ser mais sério do que ele. "Décadas de relações promíscuas com banqueiros pouco recomendáveis e financiamentos pessoais e políticos na fronteira da legalidade" nunca o afetaram, afirma Daniel Oliveira.

"Se a coisa aperta, atira um desgraçado aos leões e segue a sua vida, sempre com ar de que todos lhe devem alguma coisa."

Texto: Carolina Rico

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