Falta de ambição europeia?

A "Opinião" de Pedro Pita Barros, na Manhã TSF

Falta menos de um mês para as eleições Europeias. Como devem encarar estas eleições os partidos políticos? Se estiverem centrados em fazer das eleições europeias um teste ao atual Governo, estarão a olhar para benefícios partidários imediatos, mas infelizmente estarão também a desvalorizar um propósito de participação dos portugueses na construção de uma ideia de Europa.

Ter voz na construção europeia é mais difícil mas mais relevante para o futuro do que apenas estar à procura de fundos estruturais e de transferências. Embora falemos normalmente da União Europeia, é importante não esquecer que outros países como a Suíça, a Noruega e a Islândia têm relações especiais em vários domínios, demonstrando que uma sociedade europeia ampla é atrativa até para países que não fazem parte da União Europeia.

Será que há capacidade de levar os portugueses a assumir que são parte de um projeto europeu que podem e devem influenciar, ajudar a erguer? É demasiado cómodo dizer-se que há muitas imposições da "Europa" quando, por vezes, por omissão, não se participa de forma ativa.

Será que os Portugueses são em geral, e por natureza, desinteressados do que se passa na Europa, na União Europeia? Segundo os dados do Eurobarómetro, Portugal é um dos países onde há maior confiança na União Europeia (sem grande surpresa, é na Grécia e no Reino Unido que essa confiança é menor).

E isto apesar de os Portugueses acharem que a sua voz conta pouco no contexto da União Europeia. Falta por isso conseguir fazer sentir mais essa voz, de forma construtiva. Se um país como a Suécia, que tem uma população semelhante a Portugal, sente que tem voz na União Europeia, o problema não é de dimensão do país.

A falta de envolvimento da classe política em geral e a frequente falta de afirmação pela capacidade técnica de Portugal e dos seus representantes, aos diversos níveis, tem que ser alterada, para benefício das gerações futuras.

E um primeiro passo para fazer essa diferença é tomar as eleições europeias como sendo sobre a forma como os representantes eleitos de Portugal vão contribuir para ajudar a melhorar a vida de todos os europeus, incluindo os Portugueses. Para que tal suceda, é necessário que os principais partidos políticos queiram ser relevantes a nível europeu, e, como tal, alterem de forma radical a forma como se apresentam a estas eleições. Não é provável que o façam, com base nos primeiros cartazes e slogans que têm sido apresentados. Mas a culpa não é da União Europeia, ou da opinião que os portugueses têm dela. É sim resultado da falta de ambição de dar voz, pela presença e afirmação técnica de posições, nos órgãos da União Europeia, incluindo no Parlamento Europeu.

Até 26 de maio, data das eleições, ainda há tempo para ser diferente, e ter uma ambição europeia nestas eleições.

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