Goucha atirou-se para fora de pé e Marcelo traçou uma linha

"A democracia não se resume a colocar um microfone à frente de cada um. A democracia exige uma responsabilidade dobrada", defendeu Daniel Oliveira, n'"A Opinião" da TSF.

Daniel Oliveira considera que o Presidente da República teve a atitude correta ao criticar a entrevista a Mário Machado, líder da organização de extrema-direita Nova Ordem Social, no programa de Manuel Luís Goucha, na TVI.

No espaço de comentário que ocupa semanalmente na TSF, "A Opinião", Daniel Oliveira afirmou que Marcelo Rebelo de Sousa traçou uma "linha-limite" para a "guerra de audiências" entre as televisões, censurando quem "para benefício próprio, fragiliza a democracia".

O comentador começou por defender que, em democracia, "nenhuma liberdade é ilimitada, porque todas têm de se confrontar com outras [liberdades] e todas dependem do exercício coletivo de responsabilidade".

Por este motivo, Daniel Oliveira considera que "a decisão de entrevistar Mário Machado não era um imperativo de liberdade", mas, sim, "uma escolha". "E feita essa escolha, exigiam-se cuidados redobrados", alerta o jornalista.

Na opinião de Daniel Oliveira, Mário Machado não deveria ter sido entrevistado num "programa de entretenimento higienizado pela simpatia dos programas matinais", mas num "programa de informação, com o devido enquadramento jornalístico".

"Tinha de ser feito o trabalho de casa, não apresentando o criminoso que mais tempo esteve numa prisão de alta segurança - condenado por espancamentos, sequestros, torturas e roubos - como alguém que apenas tem opiniões polémicas. Porque isso é mentir às pessoas", defendeu o comentador.

O objetivo de Mário Machado, segundo Daniel Oliveira, era "deixar de ser visto como criminoso" e passar a ser "tratado como um político". Uma intenção que, "não fosse a indignação geral", teria sido bem-sucedida. "O branqueamento de um criminoso teria sido bem-sucedido", reforçou.

"Em troca de audiências, Goucha atirou-se para fora de pé. Terá de encaixar a lapidar crítica política, elegantemente transmitida pelo Presidente da República através de um simples telefonema", declarou Daniel Oliveira.

Para o comentador, quem acha que Marcelo se envolveu numa guerra de audiências "não percebeu" o que se passou. "O modo pode ter sido pouco ortodoxo, mas Marcelo traçou uma linha-limite para essa guerra de audiências. E fez muito bem", atirou. "O Presidente não deve ser neutro perante quem, para benefício próprio, fragiliza a democracia."

Texto: Rita Carvalho Pereira

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