Marcelo "tirou o pé do acelerador", mas deixou recados a todos

Anselmo Crespo considera que Marcelo Rebelo de Sousa deixou um recado não só ao Governo, mas também à oposição, quando afirmou que as políticas públicas têm de "ir mais longe e mais fundo".

O editor de Política da TSF, Anselmo Crespo, afirma que, na mensagem de Ano Novo que transmitiu aos portugueses, esta terça-feira, o Presidente da República deixa clara a necessidade de reformas estruturais no país.

"Marcelo Rebelo de Sousa pede que o país se prepare para eventuais choques", diz Anselmo Crespo. Ultrapassados os objetivos iniciais da legislatura - que passavam, essencialmente, pela reversão de grande parte das medidas implementadas durante o período de austeridade -, o Presidente defende que agora é preciso ir "mais além".

Para o editor de Política da TSF, o grande destaque do discurso de Marcelo é essa "necessidade de um plano para o país que vá para além do mês seguinte e do ano seguinte, que olhe para os desafios do país nas próximas décadas". Um recado que, Anselmo Crespo não tem dúvidas, não se dirige apenas o Governo liderado por António Costa, mas a todos os partidos políticos.

Outro dos pontos fortes da mensagem de Ano Novo do Presidente foi o apelo a "políticas e políticos mais confiáveis". Marcelo Rebelo de Sousa recomendou mesmo a quem tenciona candidatar-se e cargos políticos que, antes de o fazer, olhe primeiro para o seu passado e pondere a responsabilidade que pretende assumir. Para Anselmo Crespo, este alerta é uma referência aos casos de corrupção que envolvem vários políticos que já desempenharam cargos públicos em Portugal e que estão a ser tratados na Justiça.

Mas não são apenas aqueles que se candidatam a cargos políticos que Marcelo pretende responsabilizar, são também aqueles que os elegem. O Presidente da República fez um apelo claro aos portugueses para que exerçam o direito e o dever de votar. Porque a indignação não deve ser manifestada pela abstenção.

Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que os cidadãos têm todo o direito de manifestar o seu descontentamento face às desigualdades que o país ainda vive, mas lembra que o respeito deve sempre imperar. Afirmações que o editor de Política da TSF lê como uma ligação aos fenómenos populistas que proliferam - por exemplo, os recentes protestos dos chamados 'coletes amarelos' - e que o Presidente vê como um "fator de preocupação". "Não estamos, de todo, livres de que estes fenómenos possam acontecer também em Portugal", refere Anselmo Crespo.

Ainda no capítulo dos protestos e da indignação, Marcelo Rebelo de Sousa referiu, no seu discurso, a importância do direito à greve, mas também as consequências para aqueles que vivem os efeitos das greves. "É claramente um recado aos enfermeiros", assume o editor de Política da TSF, depois da paralisação desta classe profissional ter, nos últimos dias, levado ao adiamento de cerca de 10 mil cirurgias.

"Toda a gente sabe que uma greve só tem efeito se tiver impacto. Mas também toda a gente sabe que as greves têm regras e que há direitos que não podem deixar de ser cumpridos", constata Anselmo Crespo.

Ausentes de todo o discurso do Presidente da República estiveram as falhas do Estado nas suas responsabilidades para com os cidadãos, nos últimos anos (episódios como as tragédias dos incêndios ou a pedreira de Borba, que estarão marcados nas mentes dos portugueses durante muito tempo).

Anselmo Crespo considera que "não deixa de ser de assinalar" a ausência deste tema na mensagem do Presidente. Na opinião do editor de Política da TSF, Marcelo Rebelo de Sousa estará agora a procurar "retirar o pé do acelerador" quanto a intervenções mais acutilantes (como as que já fez no passado). À medida que as eleições de 2019 se aproximam, o Presidente da República estará a sentir "necessidade de começar a distanciar-se dos temas que vão estar nas campanhas dos vários partidos políticos (...), para não ser acusado de estar a colar-se mais aos partidos da oposição e menos ao Governo."

Texto: Rita Carvalho Pereira

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