Nova vida para os CTT?

"A Opinião" de Pedro Pita Barros, na Manhã TSF.

No final da semana passada duas notícias surgiram, e que vão lançar em breve discussão acesa sobre os serviços de correio. A primeira noticia foi a decisão da entidade que regula os CTT, a ANACOM, de obrigar a empresa a reformular a sua proposta de nova rede, para garantir maior presença no território nacional do que a empresa pretendia. A segunda foi a decisão do presidente executivo dos CTT de sair agora dessa posição, dando lugar a uma renovação na administração.

A curto prazo terá que ser estabelecido o novo quadro do que é o conjunto de serviços a que os CTT estão obrigados e que compensação deverão receber por isso.

A definição do que se chama de obrigações de serviço universal, e se e quanto deve receber uma empresa por as fornecer, são um aspecto regulatório clássico. E juntando discussões recentes, é bastante provável que se volte a falar da nacionalização dos CTT, como sucedeu há poucos meses.

Para essa discussão será útil ir reler vários dos documentos disponibilizados pela ANACOM sobre a utilização dos serviços postais, e sobre o que os utilizadores entendem ser necessidades. Mais interessante foi ter sido perguntado, num dos estudos realizado em 2017, o quanto as pessoas estão dispostas anualmente a pagar para manterem a rede como está, ou se preferem esperar mais tempo em vez de pagar um valor fixo anual. Segundo um desses estudos, uma maioria das pessoas prefere esperar mais 10 minutos para ser atendido num posto ou estação de correios a pagar 5€ anuais para evitar esse tempo de espera adicional.

Estas preferências terão que ser tidas em conta nas negociações que vierem a ser feitas sobre serviços, quanto valem e a forma de compatibilizar a dimensão da rede dos CTT e a sua viabilidade económica. Mas os desafios de uma nova equipa de gestão também vão passar pelos serviços que prestam e como o fazem. Por exemplo, em entrega de encomendas, outras empresas concorrentes dos CTT enviam SMS e mensagens de correio electrónico de aviso do momento de entrega em casa. Isto permite ao cidadão planear a recepção da encomenda. Os CTT deixam um postal cor-de-rosa indicando que tentaram entregar, e depois o cidadão tem de ir levantar a encomenda num posto de correios. Se e quando alguém tiver que escolher uma empresa para a entrega de encomendas, é pouco provável que os CTT sejam a primeira escolha.

A dupla frente dos aspectos de serviço público que se exigirão e o conseguir acompanhar novas formas de relacionamento com os clientes irão determinar se os CTT terão uma nova vida com uma nova gestão.

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