O CDS não aprendeu a lição do PP

Daniel Oliveira ataca o CDS-PP por tentar "colar-se à extrema-direita", numa "estratégia desesperada" para ganhar votos.

No espaço de opinião que ocupa semanalmente a TSF, Daniel Oliveira opinou que o CDS deveria aprender com o Partido Popular (PP) espanhol, se quer evitar cometer os mesmos erros e perder o eleitorado, ao imitar a extrema-direita.

Para Daniel Oliveira, Mariano Rajoy tentou fazer esquecer a sua governação e os casos de corrupção exacerbando o nacionalismo espanhol. Mas a postura do PP ainda se extremou mais com o sucessor de Rajoy na liderança, Pablo Casado, que decidiu "mimetizar a campanha do Vox".

A estratégia fez com que o PP "perdesse eleitores para todos". Para o centro, foram os eleitores que se sentiram "desconfortáveis com tanta semelhança com a extrema-direita", e para a extrema-direita, os eleitores que "preferem o original à cópia".

Referindo que o CDS é o "parente legítimo" do PP espanhol, Daniel Oliveira nota que, mesmo assim, o partido luso situa-se mais à esquerda, porque "a direita portuguesa, ao contrário da direita espanhola, não é herdeira da ditadura". O jornalista critica, por isso, as posições recentemente assumidas pelas figuras de destaque do partido - desde a " neutralidade de Assunção Cristas perante Bolsonaro " à "simpatia de Nuno Melo [que afirmou que o partido espanhol não se insere na extrema-direita ] em relação ao Vox".

"Não sei se Nuno Melo disse que o Vox não é de extrema-direita para se afastar da previsível derrota do PP e se aproximar da previsível vitória do Vox. Sei que o Vox está à direita da Frente Nacional francesa e do UKIP britânico, que os seus dirigentes participam em encontros políticos onde se fazem saudações fascistas, que vive do nacionalismo agressivo e da demonização os emigrantes. Acho que tudo isto chega para se ser de extrema-direita", atira Daniel Oliveira.

O comentador considera que o partido só piorou a situação, quando, mais tarde, abordou nas redes sociais as declarações de Nuno Melo: "Feita a asneira, a emenda foi pior do que o soneto. O CDS fez um tweet onde explicou que o seu candidato não deve ser colado ao Vox, só por achar que as migrações estão a destruir os alicerces da Europa. O próprio Vox não diria melhor."

"Começa a ser altura de perguntar onde anda o CDS de Freitas do Amaral, de Adelino Amaro da Costa e de Lucas Pires", adverte Daniel Oliveira.

Aos olhos do comentador, "o CDS tem dois caminhos: lutar pela hegemonia na direita portuguesa ou entrincheirar-se na extrema-direita, na esperança de apanhar a onda do ódio". E, antes de optar pela segunda hipótese, seria melhor "aprender qualquer coisa com o PP espanhol". É que, sublinha Daniel Oliveira, o crescimento da extrema-direita "não será ocupado por quem já está no sistema", mas, sim, "por quem é novidade".

"A única coisa que o CDS conseguirá com esta estratégia desesperada é oferecer os moderados ao PSD e legitimar o discurso do Chega e do PNR. As pessoas não gostam de cópias oportunistas", conclui.

Texto: Rita Carvalho Pereira

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