Pedro Pita Barros

Parabéns ao Euro!

A opinião do economista Pedro Pita Barros na TSF.

O Euro nasceu formalmente há 20 anos, a 1 de janeiro de 1999, embora as notas e moedas só tenham iniciado a sua circulação três anos depois, em 2002. Para uma geração, já não há memoria da circulação de notas e moedas em escudos, ou em pesetas, ou francos ou liras italianas.

Olhando para estes 20 anos do euro, podemos dizer que foi um passo ousado, como projeto económico e como projeto político, e que foi globalmente bem-sucedido.

Para uma pequena economia como Portugal é, a redução das taxas de juro e a redução da taxa de inflação surgem como os dois grandes benefícios que retiramos do euro.

Para o cidadão que viaja, em lazer ou em negócios, a facilidade de usar a mesma moeda em muitos dos países europeus próximos tem uma comodidade que será, hoje em dia, verdadeiramente apreciada se desaparecesse de um momento para o outro e se tivéssemos que voltar a andar com várias moedas e a pensar em múltiplas taxas de câmbio.

Do ponto de vista económico, o euro criou um mercado europeu mais estável para as empresas portuguesas. Se estas o aproveitaram adequadamente é outra questão. Mas o mercado europeu da zona euro está aí, para o que se conseguir aproveitar.

A grande desvantagem que alguns comentadores ao longo dos anos atribuíram ao euro é a incapacidade de usar a taxa de câmbio, a desvalorização cambial, como instrumento de política económica. No entanto, como nenhum país conseguiu assegurar o seu desenvolvimento económico durante muitos anos com sucessivas desvalorizações cambiais, a prazo não parece ser crucial essa desvantagem (de curto prazo) face às vantagens que gerou.

Parabéns por isso ao euro, como moeda comum de uma identidade simultaneamente nacional e europeia.

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