Qual é o Estado da Nação?

Políticas culturais

Portugal é o país que tem os mais baixos hábitos culturais da Europa e os números não enganam.

No último estudo feito pela comissão europeia, em 2013, o nosso país ficou em último lugar no índice de consumo cultural. Por exemplo: só 40 por cento dos portugueses leem pelo menos 1 livro por ano; só 19 por cento vai a concertos; só 13 por cento vai ao teatro pelo menos 1 vez por ano e a espetáculos de ópera ou de ballet só 8 por cento. Isto é um desastre total! Significa que as políticas culturais em Portugal falharam completamente, independentemente dos governos que estiveram no poder. Se olharmos para os números do INE, de 2016, cada português comprou um bilhete para espetáculos ao vivo - onde se inclui música, teatro, ballet, opera, festivais e até tauromaquia -, de dois em dois anos anos, e gastou em média 8,5 euros.

Por que acontece? Porque as políticas de educação na cultura falharam completamente. Não existe um trabalho junto dos jovens para os cativar e criar hábitos de cultura. Tem sido deitado dinheiro à rua. Os investimentos que são feitos na cultura não criam hábitos culturais, e se assim acontece é que porque o dinheiro está a ser mal aplicado.

Depois há outra questão muito pertinente: se pensarmos em artistas portugueses com menos de 40 anos que são conhecidos internacionalmente ocorrem-nos um conjunto de nomes como Carminho, Ana Moura, Mariza, Camané, António Zambujo, Bordalo II, Vhils... Interessante porque todos vêm de áreas onde o Estado, através do Ministério da Cultura ou da Educação, praticamente não investe. Por sua vez, o Estado intervém na formação artística em áreas onde não temos ninguém com reconhecimento internacional. Não há um jovem violinista, uma bailarina ou uma cantora lírica... Assim, acho que podemos concluir que as politicas culturais são um fracasso total. A solução? Fazer um debate público com a sociedade civil sobre o que e onde o Estado deve investir na Cultura e depois aplicar essas políticas. Está provado que, culturalmente, só quando a sociedade civil está sozinha é que as coisas funcionam. O estado não consegue. No entanto, o Estado apoderou-se de mais de 90 por cento dos equipamentos culturais do país, mas como a gestão é da sua responsabilidade os resultados estão à vista. Os hábitos culturais são inexistentes.

Mas os números não enganam. O cinema, por exemplo, tem três vezes mais espetadores que os espetáculos ao vivo. Terá a ver com o preço? No cinema, o preço médio é 5 euros e nos espetáculos ao vivo é de 17 euros, números de 2016. Esta problemática é agravada pelo IVA. Com hábitos culturais tão baixos, o IVA já devia ter sido reposto para a taxa reduzida de 6 por cento. Em 1 euro de um bilhete para um espetáculo, 12 cêntimos são de IVA.
Mas tudo isto é fruto das políticas culturais e educacionais de Portugal que não incentivam os portugueses a terem hábitos de cultura.

*Álvaro Covões é empresário e produtor de espetáculos

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