A Opinião

Portugal foi a jogo no Brasil e marcou pontos

"A Opinião" de Nádia Piazza, na Manhã TSF.

De candidato chacota, o capitão reformado do Exército, Jair Messias Bolsonaro foi empossado no passado domingo o 38º presidente do Brasil.

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A tomada de posse, embora com discursos aparentemente de fácil leitura, ficou marcada pela passagem de muitas mensagens diretas e outras subliminares para diversos setores da economia, agentes da sociedade civil e atores políticos nacionais e internacionais.

Restou, claro, o total corte com o passado recente brasileiro de políticas de natureza mais de subsidiodependência e do que necessariamente socialistas, na aceção europeia do termo. Quem esperava um discurso manso e tipicamente presidenciável, saiu esclarecido. Bolsonaro parece saber o que quer e com quem quer, resta saber se saberá como lá chegar.

Para já, os aeroportos não se encheram de novos refugiados.

Uma das promessas do presidente Jair Bolsonaro é mudar a política externa do Brasil.

Num mundo globalizado, ausências e presenças numa cerimónia de posse também dizem muito. E nesta, foram dados recados claros de como vai ser a diplomacia brasileira nos próximos anos.

Cuba, Venezuela e Nicarágua foram vetados e mostra que o governo vai jogar duro com esses regimes de esquerda.

Contudo, o secretário de estado americano e o primeiro-ministro israelita foram as presenças mais sentidas nessa mudança de trajetória que se avizinha.

Portugal fez-se representar pelo seu Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que afirmou que há muitos imigrantes portugueses e brasileiros nos dois países e que ambos devem manter boas relações.

Eis o ponto fulcral.

Quando um país irmão parece tresmalhar-se, não é hora de fechar a porta mas sim de grandes aproximações, porque é na inclusão e no diálogo que as relações se constroem e se mantêm. Marcelo sabe disso. Foi com sentido de Estado que veio à tomada de posse e reuniu na sequência com Bolsonaro, creio.

Relativamente ao papel do Brasil CPLP, na minha opinião, não será uma prioridade desse novo regime. Mas posso estar enganada.

Em relação ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, há de facto vantagens comerciais e diplomáticas para ambos, a não ser que os EUA façam um lance melhor...

Os dados foram lançados e todas as possibilidades estão em aberto, mas nesse tabuleiro só vão a jogo convidados, e Portugal foi um deles.

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