Opinião

Que se lixem as eleições

A trapalhada do PSD em Lisboa é bem o espelho do partido a nível nacional. Agora, como em 2012, mais vale assumir que o mais importante é salvar o país.

Como se Passos Coelho não tivesse já problemas que cheguem, Santana Lopes decidiu criar-lhe mais um. Deixou o partido estes meses todos à espera, foi alimentando a expectativa de que poderia ser candidato, para acabar a dizer que não. Que belo presente de Natal.

Passos Coelho tinha alternativa. Podia não ter esperado por Santana Lopes e ter arranjado um candidato mais cedo. Por muito que esse candidato não se chamasse Santana Lopes, pelo menos não tinha deixado Fernando Medina completamente à solta. O sucessor de António Costa, na Câmara Municipal de Lisboa e, quem sabe, no PS, tem feito o que quer, sem oposição que se veja. O líder da concelhia do PSD vai-lhe fazendo umas cócegas nos pés, o do CDS de vez em quando tenta fazer-lhe uns arranhões no nariz, mas não passa disso. E assim, não há obras, caos no trânsito, municipalização da Carris ou indemnizações à Bragaparques que afetem Fernando Medina.

Tenho poucas dúvidas de que se as eleições autárquicas fossem hoje, Fernando Medina ganharia Lisboa. Arriscaria até a dizer com maioria absoluta. Se não chegasse lá, uma geringonça de duas patas chegava para resolver o assunto. Mesmo com Assunção Cristas na corrida. A líder do CDS teve a jogada mais arriscada da sua curta carreira política ao avançar para a capital. É assim uma espécie de teste do algodão que ela quis fazer a si própria, para perceber até que ponto é que Paulo Portas teria razão. "Espelho meu, espelho meu, há alguém mais carismática que eu?".

Passos Coelho pode estar a preparar-se para ser o espelho de Cristas. Com Santana Lopes fora da corrida, Moreira da Silva na OCDE e com as várias negas que as estruturas do PSD em Lisboa já receberam, a saída mais óbvia para o PSD em Lisboa pode mesmo ser alapar-se à líder do CDS. Isto, claro, se Cristas quiser e se estiver disposta a apoiar o PSD noutros concelhos do país, onde Passos Coelho ainda tem alguma hipótese de ganhar Câmaras.

Até Março, Passos Coelho decide. Afinal qual é a pressa? Lisboa está perdida, o Porto também, ganhar a Associação Nacional de Municípios parece cada vez mais difícil e o líder do PSD está concentradíssimo na oposição a António Costa. E se tiver de perder eleições para salvar o país, é como diz o outro, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal.

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