A Opinião

Três desejos para o ano de 2019

Pedro Pita Barros escolheu três desafios no campo da Saúde para 2019.

No fim de ano, ou se fala do que de mais importante ocorreu no ano que passou ou se procura antever o ano que começa.

No setor da saúde, estas duas perspetivas confundem-se. Os assuntos mais relevantes de 2018 serão também os principais desafios para o ano de 2019. Infelizmente assim será, pois significa que não se resolveram assuntos importantes em 2018, apesar de alguns esforços para isso.

Escolho três temas no campo da saúde como desafios para 2019, que não são novos.

O primeiro, e mais antigo, é a sucessiva criação de dívida pelos hospitais do SNS. Apesar das injeções de capital, e de algumas ideias para controlar a situação, ainda não é certo que em 2019 os hospitais tenham os orçamentos adequados ao que precisam para satisfazer o que deles se pede em termos de serviço à população, nem que se verifique a boa utilização desses orçamentos.

O segundo, mais mediático e igualmente central para o bom funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, é a relação com os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, especialistas técnicos diversos) - não se trata apenas de uma questão salarial, há que assegurar motivação e empenho destes profissionais de um modo mais geral e permanente, o que cabe parte ao Ministério da Saúde e parte às diferentes unidades que fazem o Serviço Nacional de Saúde.

O terceiro, um problema em certa medida criado pelo próprio Governo, é a lei de bases da saúde. Em ano de eleições será fácil que a discussão seja usada como parte da campanha eleitoral. Como tal as posições políticas irão provavelmente extremar-se em lugar de procurar um caminho comum, dentro do qual depois diferentes políticas poderão ser ensaiadas.

Os meus três desejos para o ano de 2019, com base nestes desafios, são simples: 1) que seja encontrada a forma de assegurar a boa gestão dos hospitais, para que cumpram a sua missão sem desperdício de recursos e sem dívidas; 2) que se encontre a paz social nas relações laborais no setor da saúde, de preferência com soluções duradouras; e, 3) que uma nova lei de bases que seja aprovada permita, com flexibilidade, a evolução e transformação que o setor da saúde precisar para que quem vive em Portugal tenha o melhor apoio possível à sua saúde.

Um bom ano de 2019!

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