Uma crise desejada, um jogo cínico

Daniel Oliveira alerta que António Costa começa a perder a imagem de político sincero junto dos portugueses.

No espaço de comentário que ocupa na TSF, "A Opinião", Daniel Oliveira acusou o primeiro-ministro de fazer um "jogo de cinismo", ao criar uma crise política devido à questão das carreiras dos professores.

O comentador afirma que um Governo só apresenta a demissão se uma decisão do Parlamento lhe retirar "as condições para governar com o seu programa" - e que tal demissão só poderia acontecer a cinco meses das eleições se a decisão da Assembleia o impedisse, realmente, de "governar normalmente durante esses cinco meses". Um cenário que, na opinião de Daniel Oliveira, não estava em cima da mesa.

"O que foi aprovado na última quinta-feira não teria qualquer efeito neste Governo (...). Os retroativos serviam para que esta medida não custasse, por agora, um cêntimo ao Orçamento de 2019", explica o comentador.

A contagem do tempo de serviço dos professores para este orçamento, segundo o diploma aprovado pelo PSD, CDS, PCP, e Bloco de Esquerda, corresponderia apenas a dois anos, oito meses e 14 dias. "O que o Governo já tinha dito que daria aos professores (...), ao contrário do que foi dito por António Costa", nota Daniel Oliveira, que fala num "atropelo à verdade" oferecido pelo primeiro-ministro.

E, se assim é, porque razão Costa "preferiu anunciar uma demissão e criar uma crise política?" "Porque desejava uma dramatização para uso eleitoral", responde Daniel Oliveira.

Com a proposta do PSD, que coloca condicionantes temporais à recuperação integral do tempo de serviço congelado dos professores - "um travão financeiro" que vai receber os voto contra do PS, do PCP e do Bloco de Esquerda - "a lei morrerá", diz o comentador.

"Não há demissão, não há eleições antecipadas,.. Isto foi apenas um jogo de cinismo que durou uma semana", atira o jornalista.

"Claro que foi Costa que ganhou este jogo, mas, se toda a gente perceber que isto era só um jogo, até ele acabará por perder", conclui Daniel Oliveira. É que "quando se reforça a imagem de jogador hábil, perde-se a imagem de estadista sincero."

Texto: Rita Carvalho Pereira

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