Liderança, Futebol e Nostalgia

Não é exagero dizer que assistimos a grandes jogos de futebol nos oitavos-de-final do Campeonato Europeu. A emoção, os resultados surpreendentes e a qualidade destes jogos foram uma bela montra do que o futebol deve e pode ser. À cabeça temos a vitória da seleção inglesa que desfez a maldição alemã. A alegria dos jogadores, da equipa técnica e dos adeptos foi bem reveladora do alívio sentido. Afinal, afinal é mesmo possível aos ingleses derrotar a Alemanha em futebol.

Mas sem dúvida que o grande prémio desta jornada pertence a uma seleção em relação à qual as expectativas eram reduzidas, senão mesmo nulas: a Suíça. Os helvéticos conseguiram a proeza de derrotar uma das seleções favoritas para vencer o Euro e que são, aliás, os atuais campeões do mundo: os franceses. Poucos diriam que seria possível e, no entanto, os suíços fizeram deste jogo o melhor até agora.

Em menor escala, mas não menos emocionante, a Espanha de Luís Enrique conseguiu vencer a Croácia de Luka Modric, uma seleção com um talento inquestionável. Estamos a falar de uma nação com cerca de 4 milhões e 200 mil pessoas e muito, muito talento per capita. No entanto, neste Euro esteve longe de demonstrar essa qualidade. Mas, no jogo contra Espanha, voltamos a ver aquela Croácia que nos maravilhou no Campeonato do Mundo e no qual se sagrou vice-campeã.

Enquanto seguia os jogos com atenção e entusiasmo também tive momentos de enorme nostalgia. Uma nostalgia aguda enquanto via o jogo de Itália e, em especial, o seu treinador Roberto Mancini e, é claro, Gianluca Vialli, que faz parte da equipa técnica, entre outros. Nostalgia intensa enquanto via a Ucrânia e o seu treinador: Andriy Shevchenko. Para a Ucrânia a passagem aos quartos-de-final foi comemorada de forma exuberante. É um exemplo excelente de como uma nação, em conflito desde 2014 com o seu vizinho bem mais poderoso e agressivo, a Rússia, se consolida através do futebol.

E o que têm em comum Mancini, Vialli e Shevchenko? Foram craques inesquecíveis que vão agora deixando a sua marca nas seleções dos seus países. A minha nostalgia tinha de vir ao de cima enquanto os via a dirigir, a apoiar, a orientar e a liderar as esperanças e os sonhos de milhões dos seus compatriotas. Entre o jogo que acontecia no relvado ia-me lembrando de jogadas, golos, toques, desmarcações inesquecíveis destes craques.

Uma carreira de um jogador ao mais alto nível é mesmo um exemplo de liderança. Este é uma das dimensões do futebol com a qual mais temos a aprender.

Steve Gerrard, craque e histórico do Liverpool, tem na sua autobiografia uma citação à qual volto frequentemente: "Dez anos na nossa vida é muito tempo. No futebol é mais ainda. Dez anos é uma era."

A transformação de craque em treinador parece à partida fácil, mas não é de todo... E é por isso mesmo que Mancini, Vialli e Shevchenko são exemplos de liderança dentro e para lá dos relvados.

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