Líderes de topo, sociedade displicente

1. Os diretores das escolas públicas portuguesas são obrigatoriamente, e ainda bem, professores, em vez de gestores ou boys indigitados pelo partido do governo.

Desempenham funções mais e mais complexas, frequentemente delicadas e ingratas e, por conseguinte, indesejadas pela maioria dos docentes, que amiúde comenta "é cargo que jamais exerceria!"

Aliás, começa a ser normal (i) existirem diretores que não pretendem ser reconduzidos, (ii) inúmeros processos concursais só com um opositor ou mesmo desertos - obrigando a administração central a indicar uma Comissão Administrativa Provisória, (iii) pedidos de demissão antes do término do mandato, entre outros tantos constrangimentos impeditivos do normal funcionamento de uma escola. Porque será?

Garantidamente, porque exige elevado profissionalismo, entrega total e arte para gerir recursos com sensatez e justiça, mau grado o fraco reconhecimento pelo serviço de excelência que prestam por parte de quem os deveria acarinhar. Urge dignificar o cargo, valorizando as funções que os nossos líderes escolares praticam com galhardia. Atente-se! Será a escassez de diretores contemporânea à de professores?

2. As imagens que visionamos dos festejos que emergiram por todo o país na passada terça-feira, após ser encontrado o campeão nacional de futebol da I Liga, reforçam o que tenho vindo a afirmar de forma categórica: "por vezes apetecia-me "pegar" algumas pessoas da sociedade e "enfiá-las" na Escola" para aprenderem a importância das regras e dos procedimentos de segurança que, principalmente em altura de pandemia, deverão ser observados e cumpridos para o bem de todos.

Antes, durante e após o jogo de consagração, o comportamento de muitos foi, no mínimo, deplorável. Porém, alguns dos nossos políticos desvalorizaram factos que se fossem vividos nas escolas dariam pano para mangas, com as devidas averiguações e sanções disciplinares, para não falar da evidência que mereceriam na abertura dos diversos blocos noticiosos televisivos, e fazendo manchete nos periódicos.

A (a)normalidade das comemorações em tempo pandémico passou a mensagem de profunda irresponsabilidade, legitimada pela falta de preparação de acontecimentos previsíveis, não se circunscrevendo apenas ao final do jogo. O corolário da insensatez foi a colocação de ecrãs gigantes junto ao estádio (para além do número excessivo de pessoas em estabelecimentos de restauração, entre outros locais), convidativo à existência de naturais ajuntamentos, desaconselhados e ilegais nos dias que correm.

A dicotomia da atuação dos responsáveis governamentais e as desculpas (esfarrapadas) avançadas por alguns, leva-me a concluir que esta sociedade tem ainda muito a aprender, em questões de ética e civismo, com a Escola Pública.

A imunidade que pontua as situações sociais, na Educação deverá ser significado de superação das imensas carências com que as escolas se deparam. Existirá vontade política em aplicar a respetiva "vacina"?

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