Mais abertura, mais responsabilidade

Hoje recomeçamos uma nova vida. O desconfinamento entrou na última fase, após ter sido antecipado em dois dias. Os portugueses respiram de alívio e já não precisam de sair a correr de um restaurante à 1h da tarde, com o prato e a bebida por acabar. Os restaurantes podem servir jantares já hoje e amanhã, mas com horários limitados até às 22h30.

O primeiro-ministro António Costa - hoje entrevistado aqui na TSF e também no DN e JN - não exclui voltar a puxar o travão de mão ou ter de recorrer a um novo estado de emergência se a situação pandémica o exigir, mas está otimista quanto ao futuro e admite que "já se vê uma luz ao fundo do túnel".

Hoje o país entrou em situação de calamidade, um nível de risco menos acentuado do que o do estado de emergência - apesar do peso da palavra calamidade poder sugerir o contrário... Bom, o que é certo é que tudo o que estava previsto para suceder só na segunda-feira acontece já. Mas não há almoços grátis: em troca de uma certa liberdade, pede-se responsabilidade e prudência.

Por falar em responsabilidade, António Costa não admite para já a reabertura dos bares e das discotecas. Os empresários que gerem negócios continuam angustiados, mas a ordem é para manter as luzes, as pistas e as portas fechadas. O mesmo nos estádios. Os jogos de futebol também irão continuar sem espectadores até ao final da época.

O plano de desconfinamento arrancou no dia 15 de março e termina finalmente hoje. Com os números de infetados e de óbitos controlados, é tempo de respirar e de apanhar o sol da primavera. Contudo, o sol não brilha do mesmo modo para todos. Oito dos 278 concelhos do continente terão um tratamento diferente, por terem mais casos de infeção por Covid-19. Daqui a uma semana logo se vê se o panorama muda, avança o governo.

No tom da entrevista, que dá hoje e amanhã à TSF, DN, JN, deixa notas de otimismo quanto à evolução da pandemia e ao avanço do plano de vacinação. O mesmo para a economia, com exceção do turismo. Refere não acreditar que "vá ser a alavanca para a economia já neste ano".

Estamos "numa fase de virar de página na pandemia" e "o verão completará essa viragem", acredita o primeiro-ministro. Mas deixa uma nota cautelosa: "Se não houver novas surpresas que o vírus nos provoque, acho que podemos encarar a próxima reabertura do ano letivo como um momento de novo arranque geral da sociedade." A primeira parte da entrevista que é publicada hoje, a segunda parte fica para amanhã, nestas três marcas de media.

Nem só de saúde ou de turismo fala o primeiro-ministro. Temas como a imposição do teletrabalho, um eventual orçamento retificativo, a polémica lei-travão, uma hipotética crise política por altura do Orçamento do Estado de 2021, a tensão entre São Bento e Belém são temas a que responde para estes microfones. Mas não só. O estado da Justiça, Sócrates, Operação Marquês e a análise à oposição não foram esquecidos.

Dos dias que passaram esta semana, apenas mais duas notas que merecem destaque:

Primeira: Marcelo Rebelo de Sousa proferiu aquele que terá sido o seu melhor discurso de sempre, na cerimónia que assinalou o 25 de abril, no último domingo. Da esquerda à direita, foi elogiado pelos vários protagonistas políticos. Com a sua poderosa retórica, evidenciou as grandes prioridades para o país num momento de urgente recuperação económica, social e até política. Carpir menos as dores do passado e olhar mais para o futuro será determinante no pós-confinamento.

Segunda: Nada preocupado com a popularidade interna, o Papa Francisco seguiu o seu próprio caminho e a sua consciência e decidiu, em apenas dois dias, voltar a agitar o Vaticano. Começou na quinta-feira com a divul­gação de um regulamento anticor­rupção. Por exemplo, qualquer empregado do Vaticano deixa de poder receber prendas relacionadas com o seu trabalho com valor acima dos 40 euros. Já ontem, sexta-feira, ficou a saber-se que o Papa Francisco acabou com os privilégios judiciais para os cardeais e bispos. O Papa emitiu um documento pontifício anunciando que estes passam a estar subme­tidos à justiça ordinária do Vaticano em julgamentos que até agora eram da competência do Tribunal Supremo.

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