Marcelo nuclear

Há três indicadores claros no discurso do presidente da República que revelam, mais do que um estado de magistratura de influência, um estado de preocupante alerta.

Primeiro. O acompanhamento ao pormenor das escolhas e políticas do Governo para o setor da Saúde.

Segundo. O pedido público sobre o estado das contas da Segurança Social que António Costa usou para justificar o incumprimento da lei sobre a atualização de pensões, no pacote de apoio às famílias para fazer face à crise.

Terceiro. A insistente solicitação para que o primeiro-ministro apresente ao país as previsões macro-económicas para 2023 antes das opções orçamentais. "Era importante dizer aos portugueses que cenários existem", pede.

Este estado de alerta significa algo de inimaginável há seis meses. Indicia que Marcelo Rebelo de Sousa poderá ter no radar das suas intenções a possibilidade de este Governo de maioria absoluta não terminar o seu mandato.

Acresce que o precedente que Jorge Sampaio utilizou para dissolver o Parlamento quando Santana Lopes era primeiro-ministro tem peso. Mais do que as várias peripécias de governação, o argumento central do então presidente da República para a utilização da bomba atómica constitucional centrou-se no facto de, no seu entendimento, a maioria política já não corresponder à maioria social de apoio que deu origem à coligação PSD-CDS.

Simplificando: quem os tinha elegido já não os queria no poder. As urnas deram-lhe razão.

Caso o contexto económico e social que se prevê para o ano for de facto um pesadelo, estará o Governo capaz de cumprir o programa eleitoral que apresentou aos portugueses nas últimas eleições legislativas?

Nesse contexto de degradação da qualidade de vida das famílias, uma maioria política continuará a corresponder a uma maioria eleitoral de apoio? Perante este quadro, o que fará Marcelo Rebelo de Sousa?

Esta pode ser a questão nuclear da sua Presidência.

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