Marcelo positivo, campanha negativa

Daniel Oliveira considera que a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de abdicar dos tempos de antena durante a campanha eleitoral às presidenciais foi "um pouco inusitada" e sublinha que "não há memória de um candidato relevante não usar os tempos de antena".

O comentador que ocupa o espaço de opinião da TSF à terça-feira defende que "esta desdramatização da campanha em que o Presidente da República, de alguma forma, participou desmotiva ainda mais as pessoas a ir votar".

O jornalista sustenta que, "numa eleição em que temos um vencedor previamente conhecido, em que as pessoas estão concentradas na pandemia e não na campanha presidencial, em que muitas terão medo de ir votar por causa da pandemia, podemos chegar a uma abstenção absurda que altera completamente a verdade democrática dos votos".

Para o comentador, o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter testado positivo à Covid-19 "não altera por si só muito a campanha".

"Este é o exemplo de como Marcelo Rebelo de Sousa já tinha decidido quase não fazer campanha, tinha muito poucas iniciativas. Aí não há uma grande alteração", frisa.

Ainda assim, o comentador sublinha que o resultado positivo do atual Presidente da República "não altera em relação à campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, mas altera em relação a toda a campanha".

"Tudo isto se agrava, sabendo que o Presidente da República teve contacto com grande parte dos candidatos. Brevemente saberemos o que cada um fará e o que é que foi indicado a cada um, dependendo dos contactos que teve com o Presidente, fará", lembra, acrescentando que há o risco de "termos quase toda a campanha em isolamento profilático", caso os candidatos sejam considerados contactos de alto risco ou caso estejam infetados.

Daniel Oliveira confessa não saber como será feita a campanha "se todos [os candidatos] tiverem de ficar em casa".

"Isto devia, aliás, levar as candidaturas a pensar que tipo de campanha podem fazer nestas circunstâncias", acrescenta.

De acordo com o comentador, "com isto revela-se um erro ainda mais absurdo Marcelo Rebelo de Sousa não ter não só tempos de antena, não ter site de campanha, não ter estrutura mínima que lhe permita montar sequer uma campanha digital, mas levanta outros debates: se os candidatos não deviam ter sido vacinado, se as eleições não deviam ter sido adiadas e se não se deveria ter preparado uma eleição que permitisse fazer o que se vai fazer no dia 17 [o voto antecipado] durante toda a semana, dispersando as pessoas ao longo da semana e tentando ter uma participação, porque é trágico se a abstenção for estratosférica".

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