Medalha para os autarcas

A agência europeia do medicamento avalizou a toma da vacina contra a Covid-19 em crianças dos cinco aos onze anos, podendo, assim, aplacar mais um obstáculo na proteção contra o vírus que continua a tolher uma maior normalização da vida, em geral.

A versão infantil da vacina está prevista chegar aos mercados nas próximas semanas, sem obrigatoriedade da inoculação, não obstante estar convicto de que grande parte dos pais e encarregados de educação corresponderão positivamente a esta possibilidade.

Na verdade, a faixa etária referida abrange alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, que à data não tinham sido elegíveis para vacinação e, no caso dos discentes do 1.º Ciclo, tampouco são obrigados a usar a máscara, quer nos espaços fechados das escolas, quer nos recreios.

Reconhecendo que é uma decisão algo fraturante, persistindo alguma indefinição e originando opiniões díspares na opinião pública, a consensualidade impera legitimamente entre os profissionais da Educação (professores, pessoal não docente, técnicos) no que concerne à aplicação do reforço da vacina, dado continuarem na linha da frente, interagindo com um número elevado de discentes, parte deles sem qualquer proteção, cumprindo e fazendo cumprir zelosamente as regras da Direção-Geral da Saúde.

Decretada que foi a "semana de contenção", que em bom rigor se trata da "semana da ressaca", o 2.º período letivo será retardado sete dias, aguardando que, por milagre, tudo fique bem, mitigando, por esse meio, as consequências dos desvarios que a época promove. Assim seja!

Não sendo meu propósito ser arauto de más notícias, perceciono que voltar ao "normal dos dias que correm" será um processo moroso, desordenado, com as respostas às populações a não registarem o sucesso alcançado anteriormente. Porque será?

As autarquias desdobraram-se num trabalho intenso, merecendo o apreço e gratidão dos portugueses; se é certo, e justo, os diversos reconhecimentos públicos com a entrega de condecorações ao coordenador da extinta task force, o vice-almirante Gouveia e Melo, não menos justo, nem menos meritório será quando os autarcas do nosso país forem distinguidos pelo esforço financeiro despendido na disponibilização de espaços, contratação de recursos humanos (médicos, enfermeiros, pessoal administrativo...), sufocando, em alguns casos, o orçamento das câmaras municipais.

Este poderá ser o momento do ministério das Finanças (MF) inspirar-se nos exemplos válidos, não olhar só para a frieza dos números, e deixar de assobiar para o lado, abraçando efetiva e convictamente os valores humanistas das políticas sociais e locais.

Não tendo por função ou obrigação, são os autarcas, pela proximidade do problema e vendo e sentindo as pessoas, não os gráficos, que reiteradamente assumem para si a resolução dos mesmos. Quantas vezes fazendo as ditas omeletes sem ovos!

Seria um ensaio excelente para a descentralização se o MF descesse à terra e contribuísse, em boa medida, para apoiar quem tudo faz em prol dos outros, com determinação férrea para que os problemas coletivos sejam superados, e neste particular, substituindo as vaidades e as invejas pela humilde e o humanismo. Será inequivocamente esta a melhor das distinções.

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