Meia-dose de compromisso

O governo socialista está menos comprometido com a Esquerda que lhe viabiliza o Orçamento do Estado (OE), mas a verdade é que a Esquerda também fica menos comprometida para o resto da legislatura. Em tempos de Geringonça só com os votos favoráveis do PCP e do BE se viabilizavam os orçamentos e desta vez basta a abstenção. O PS estava obrigado a ceder em alguma coisa e, talvez por isso, António Costa diz que este é o melhor OE, porque não teve de o negociar, e isso é o mesmo que dizer que a Esquerda lhe estragou os anteriores documentos. Comunistas e bloquistas percebem bem o que lhes está a dizer o primeiro-ministro, o país também: está a esquerda toda unida por um orçamento que foi o sonho de toda a direita, um orçamento que prevê um excedente orçamental.

Neste OE socialista, feito por um ministro que podia ser ministro de um governo de centro-direita, também é fácil de perceber a razão pela qual esse mesmo centro-direita acaba a votar contra o documento. Se o PSD de Rui Rio não estivesse em processo eleitoral, talvez pudéssemos ver os sociais-democratas assumir o compromisso por inteiro a favor destas contas do Estado com um pouquinho menos impostos e um pouquinho menos despesa, na busca do mesmo excedente orçamental.

Neste jogo de sombras, Esquerda e Direita seguem um guião que não podem controlar. Procuram ganhar tempo, recuperar autonomia, influenciar o seu próprio destino.

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