Migrações

Indiferença. Parece ser esta a palavra que mais se tem associado ao drama dos migrantes que continuam a morrer no Mediterrâneo.

Mais 130 vidas... e não falamos apenas de pessoas que se lançaram ao mar para encontrar uma vida melhor. Falamos de pessoas que fugiram de vidas sem esperança e esse é o maior dos dramas. Quem somos nós se não tivermos esperança. Se não soubermos que estamos a trabalhar para dar aos filhos oportunidade, para abrir caminho, para concretizar objetivos pessoais? A esperança dá-nos tudo o resto. Por isso não nos podemos conformar com a atribuição de responsabilidades para o outro lado ou para as instâncias A ou B ou, pior ainda, limitando-nos a não querer ver.

"Vergonha" foi assim que o Papa Francisco caracterizou este movimento de "olhar para o lado" que deixou, durante dois dias, 130 pessoas sem ajuda em botes de borracha.

A Cáritas tem trabalhado muito intensamente este tema. Tem estado nos campos de acolhimento, ouvindo as pessoas e procurando ajudar a minimizar o seu sofrimento e promove programas destinados a erradicar as causas da migração.

Nos últimos três anos trabalhámos, em Portugal, junto das comunidades locais, o acolhimento e respeito pelos migrantes hospedando as suas diferenças. Estivemos nas escolas com uma exposição itinerante que foi vista por mais de 30 mil alunos que puderam debater entre si, o que é partir e o que é chegar ... e se esta é, por excelência, uma comunidade de multiculturalidade.

Este é um trabalho que temos todos de fazer e de continuar. Não é uma responsabilidade só dos outros... Embora os governos tenham responsabilidades acrescidas, e a estes temos de exigir que façam tudo pela dignidade de todas as pessoas, que sejam implementados projetos sustentáveis para que a migração não seja a única alternativa e que as Organizações Não Governamentais sejam apoiadas no seu trabalho local.

Através da Caritas Internacional temos procurado manter audível este grito de socorro e o apelo para que haja uma ação mais eficaz por parte dos decisores políticos.

Os dados OIM dizem-nos que 2300 migrantes morreram ou desapareceram no mar em 2020 ao tentar alcançar a Europa.

Só neste início de 2021 teremos cerca de 500 pessoas registadas...

Não é possível ignorar!

Hoje é dia da Mãe e é assustador pensar na quantidade de mães sós, mães com crianças e crianças desacompanhadas que estão dentro destes números.

Celebrar as mães, as memórias das nossas mães, é celebrar a vida, o colo, o mimo, o amor incondicional.

Hoje o meu desafio é que com esse espírito de amor pensemos como poderemos fazer ouvir a dor destas mães e que, com esperança, possamos talvez pensar como fazer para que esta realidade não seja vista com uma perspetiva de tristeza derrotada mas com a esperança do agir.

Bom domingo e feliz dia da mãe

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