Morreu o homem que gostava que o PS e o PSD se entendessem

"Eu acho que um entendimento estável com o PSD do Dr. Rui Rio - se ele se mantiver -, tinha algumas vantagens. Tornava mais fácil fazer certas coisas que esta maioria parlamentar trava." A frase, que expressa também um desejo, é de Freitas do Amaral, na última entrevista que deu à TSF e ao DN .

Há um ano, como agora, as dúvidas sobre a capacidade do Partido Socialista alcançar uma maioria absoluta, eram quase tão grandes como a incerteza sobre o futuro político de Rui Rio à frente do PSD. Freitas não ficou por cá tempo suficiente para assistir ao desfecho político das eleições do próximo domingo. Partiu esta quinta-feira e cumpriu, pela última vez, o papel de agregador que teve durante toda a sua carreira política: da direita à esquerda , todos os partidos lamentaram a partida de uma figura ímpar da democracia portuguesa. A Carolina Rico preparou um obituário muito completo.

O CDS, partido que ajudou a fundar, demorou a decidir-se, mas vai terminar a campanha mais cedo . Às 15H desta sexta, os centristas vão todos para casa e o jantar comício desta quinta-feira foi transformado numa espécie de homenagem a Freitas do Amaral.

O PSD foi mais rápido na reação: cancelou o comício de encerramento de campanha e decidiu que a arruada desta sexta-feira, do Chiado, seria silenciosa. No final Rui Rio fala, pela última vez nesta campanha eleitoral, mas sem o aparato tradicional dos comícios de encerramento de campanha.

O velório de Freitas do Amaral está marcado para esta sexta-feira, no Mosteiro dos Jerónimos, a partir das 17H. O funeral será este sábado, a partir do 12H, em Cascais.

Bloco Central, só na TSF

A pergunta é recorrente. A resposta é repetitiva. Mas com as eleições a aproximarem-se e o PSD e PS também cada vez mais próximos nas sondagens, o tema voltou à campanha. Rui Rio insiste que um Bloco Central só se justifica numa situação limite e parece farto que lhe perguntem se admite apoiar, no Parlamento, um governo minoritário do PS. "Respondo-lhe a isso quando o António Costa responder se está disponível para viabilizar o meu governo, no caso de eu ganhar e não ter maioria absoluta", remata o presidente do PSD que recebeu esta quinta-feira um apoio vindo diretamente da Madeira. Esse mesmo: Alberto João Jardim, o homem das maiorias absolutas veio ao "contenente" e, como é hábito, partiu a loiça toda . Rui Rio deixou um aviso à navegação laranja: nada de meter a família no governo. O Filipe Santa Bárbara e a Carolina Rico estavam lá e contam-lhe tudo.

António Costa, o secretário-geral do PS vai ignorando os ataques. E António Costa, o primeiro-ministro, também. Na reta final da campanha, o líder socialistas volta a puxar do único trunfo que tem: Mário Centeno, o amado ministro que chegou a Setúbal na noite passada particularmente inspirado. O CR7 das Finanças fez gato sapato de Rui Rio , para gáudio dos socialistas que nunca pensaram gostar tanto de um ministro das finanças. O PSD foi o bombo da festa socialista em Setúbal. Ana Catarina Mendes, cabeça de lista por este círculo, "ressuscitou" a memória política de Pedro Passos Coelho para o desafiar a votar PS.

Quanto a Costa, resguarda-se e vai cumprindo calendário: tem "encontros imediatos" com apoiantes que ficam sempre bem na fotografia e vai vestindo o fato que mais lhe convém em cada momento assumindo, cada vez mais, a pose de líder do governo, como se as eleições estivessem ganhas. A reportagem é do Miguel Midões e da Inês Figueiredo.

Não estão, mas as sondagens apontam nesse sentido. A última atualização da sondagem da Pitagórica para a TSF, JN e TVI , dá uma distância de oito pontos entre o PS e o PSD. O que significa que, não só os socialistas não chegam à maioria absoluta, como podem voltar a precisar do Bloco e do PCP para poder governar.

É essa a ficha que Catarina Martins joga nesta campanha. A coordenadora do BE quer garantir que o seu partido terá uma palavra a dizer numa futura solução política. Que não é muito diferente na CDU. Jerónimo de Sousa tem como principal propósito impedir uma maioria absoluta do PS e acredita que Tancos pode ter dado uma ajuda.

Mas a sondagem da TSF, JN e TVI traz ainda um enorme amargo de boca ao CDS que surge, pela primeira vez, atrás do PAN. E o nervosismo na caravana centrista é, aliás, bem visível para quem acompanha a campanha, apesar de Assunção Cristas se esforçar por manter o sorriso e um discurso otimista. António Lobo Xavier apareceu para dar uma ajuda e usou o pensamento político de Freitas do Amaral para disparar ao centro. A Raquel de Melo tem os sons.

Já André Silva, chega ao final desta campanha com a moral claramente em alta. O porta-voz do PAN começou a disparar em várias direções: acusa PSD, CDS e PCP de conservadorismo e os Verdes de terem perdido a validade. O António Pinto Rodrigues pode confirmar que André Silva, não foi meigo nas críticas. E a Liliana Costa pode confirmar que o PEV quis responder à altura . Está aberta a guerra entre os partidos que defendem o ambiente.

Agora é votar

Agora, que a campanha está a terminar, o mais importante passa a ser o votar. Os sons que marcam o penúltimo dia de campanha foram "tricotados" pelo João Félix Pereira. Quando acabar de ouvir, e se lhe apetecer dar um pezinho de dança, é ouvir o "Sim, os partidos dão-nos música" , do Pedro Tadeu. É sobre um hino partidário que não dá vontade de cantar, mas que dá uma enorme vontade de saltar.

Se quiser passar pelo Chiado, esta sexta-feira de manhã, dê um salto à Trindade para dizer um olá ao Manuel Acácio, que vai montar lá o estúdio móvel do Fórum TSF . O convidado devia ser António Costa, mas o secretário-geral do Partido Socialista foi o único líder que recusou o convite para responder aos ouvintes. O que não significa que os ouvintes não possam fazer perguntas na mesma. É telefonar a partir das 10H da manhã.

Depois, a partir das 19H, a Judith Meneses e Sousa abre uma emissão especial para acompanhar os comícios de encerramento, com a análise do Pedro Marques Lopes, Pedro Adão e Silva, Paulo Baldaia, Daniel Oliveira e Pedro Tadeu.

Domingo é dia de votar e acompanhar em direto na TSF e em tsf.pt a contagem dos votos. A partir das 8H da manhã - hora a que abrem as urnas - e até ao último voto, temos reportagem, diretos, opinião e análise aos resultados e às consequências das eleições que vão definir o futuro da governação.

Tenha uma excelente sexta-feira.

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