Não é por aí que o Zé Albino vai às filhoses

Rui Rio não gosta de sondagens, não acredita nelas, mas é humano e é muito provável que tenha ficado feliz ao tomar conhecimento da sondagem da Católica para a RTP e jornal Público. O líder do PSD está em crescendo e o do PS em queda, fazendo com que o resultado dos dois se aproxime. Só que sondagens assim, em campanhas com uma forte bipolarização, ajudam a criar uma dinâmica de voto útil que pode ainda não estar esgotada.

É verdade que à esquerda, a maioria parlamentar está esticada, com mínimos do PCP e do Bloco, do PAN e um potencial de crescimento do Livre que não dá para muito mais. Por pouco que António Costa tenha para crescer à esquerda, ainda assim, esta sondagem chega em boa hora, porque servirá para mobilizar um eleitorado crente na vitória mas pouco motivado. O medo da direita é uma boa cenoura para o que falta da campanha. Não é, portanto, pelas sondagens que o gato vai às filhoses. Com estudos de opinião a dizerem o que este diz pode bem António Costa.

Rui Rio pode ainda assim tentar capitalizar com esta aproximação, na busca do voto útil à direita, mas não pode valorizar a sondagem para não ser incoerente. Nem precisa, basta bater na tecla de que só com uma vitória do PSD é possível impedir que destas eleições saia novamente um governo do Partido Socialista. Entre os eleitores do Chega e da Iniciativa Liberal, Rio ainda tem muito para pescar. Terá arte e engenho? Se não se deslumbrar com as sondagens, se se mantiver genuíno, mesmo que às vezes pareça amador.

Estas eleições vão-se decidir pela capacidade que cada um dos campos tiver para mobilizar o seu eleitorado.

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