No jogo do gato e do rato do Brexit, o que se joga é o "day after"

"Este é o momento." Se Boris Johnson quiser garantir que continua a governar o Reino Unido "tem de aproveitar agora" e levar a bom porto, de uma vez por todas, o Brexit.

Para compreender os meandros do "labirinto" de avanços e recuos no processo de saída do Reino Unido da união Europeia, a grande pergunta que se pode fazer é 'qual é a pressa de Boris Johnson' e porque é que a oposição está a empatar', nota Daniel Oliveira no seu espaço de opinião semanal na TSF.

A resposta mais óbvio seria 'porque um quer o Brexit e os outros não querem o Brexit', mas Daniel Oliveira acha que "já tem pouco a ver com isso". "O Brexit vai acontecer", por isso o mais importante não é perguntar 'como é que vai acontecer', mas sim 'quando'. "E a resposta está nas sondagens":

Tudo indica que Boris Johnson vença as eleições se estas forem só logo depois do Brexit, e se a saída do Reino Unido da União Europeia for a 31 de outubro e com acordo o primeiro-ministro britâncio "até pode conseguir a mais larga maioria do partido conservador em três décadas".

Por outro lado, se houver adiamento do Brexit e as eleições forem antecipadas, Boris Johnson "pode não ganhar muito por via do Brexit Party, que leva muitos votos dos conservadores".

Já se o Brexit fosse anulado, hipótese que Daniel Oliveira considera não estar em cima da mesa, "até o Labour podia vencer as eleições, porque os resultados seriam completamente diferentes".

"O que se está a discutir na realidade é o 'day after', o que é que acontece depois do Brexit. É isso que estas manobras - puxa para um lado, puxa para o outro - estão a definir", aponta Daniel Oliveira.

"Boris Johnson espera que a União Europeia recuse o adiamento e, pelo contrário, a oposição espera que isto seja empatado o mais possível para que haja a possibilidade de fazer cair Boris Johnson antes de haver acordo."

"Estamos a assistir a num jogo do rato e do gato", diz o comentador. Além disso o primeiro-ministro britânico só aceita este acordo com a União Europeia, ainda que seja "absurdo" e pior do que o de Theresa May, "porque tem pressa que o Brexit se faça".

"Para alguém que disse que o Backstop era inaceitável (...) aceita na realidade uma fronteira entre a Irlanda do Norte e a Grã Bretanha. Acho que nem o IRA conseguiu tanto para a causa da unificação das irlandas", ironiza Daniel Oliveira.

"Podemos dizer que é oportunismo dos dois lados. Em política o oportunismo soa mal, mas às vezes tem razões políticas: não interessa só saber como é que se fará o Brexit. Interessa saber quem vai gerir o Brexit depois do Brexit. É isso que está em confronto neste momento."

* Texto redigido por Carolina Rico

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados