No SEF, tarde demais

É irrelevante tudo o que diga, agora, a diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras sobre a morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, considera Daniel Oliveira.

"A vida deste cidadão vale tão pouco que mereceu oito meses de silêncio da responsável pela instituição onde morreu", condena o comentador na Manhã TSF.

Em março deste ano, Ihor Homeniuk terá sido brutalmente espancado numa sala do Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa e ali deixado, imobilizado e sem assistência médica, até morrer.

A diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Cristina Gatões, reconheceu este domingo que se tratou de um caso de "tortura evidente", uma situação "medonha, hedionda, inqualificável".

Mas, para Daniel Oliveira, "tudo o que [Cristina Gatões] diga oito meses depois será tarde demais", defende, condenando o facto de a responsável "não ter sequer considerado o caso suficientemente grave para colocar o lugar à disposição" ou apresentar esclarecimentos públicos mais cedo.

Importa ainda, aponta o jornalista, apurar "se isto é um comportamento comum" do SEF. "Nada nos diz que foi a primeira vez que uma coisa destas aconteceu, provavelmente agora com um resultado muito mais dramático."

Daniel Oliveira defende, por isso, que "é preciso perceber até onde vai o descontrolo e a arbitrariedade no SEF" e, consequentemente, "mudar uma estrutura que trata os emigrantes como criminosos".

O caso de Ihor Homeniuk é, na opinião do comentador, mais grave do que o de George Floyd, o afro-americano que morreu às mãos da polícia nos Estados Unidos, no entanto, ninguém se manifestou em Portugal a favor deste cidadão ucraniano.

"O Estado não se limitou a matar este ucraniano, está-se nas tintas para o que fez e, infelizmente, o país também", lamenta.

Texto: Carolina Rico

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