Nós por cá (quase) todos bem

O sistema partidário continua estável e sem derivas populistas e extremistas, ou seja, nós por cá todos bem. Mas, claro, uns melhores do que outros.

O PS ganhou as eleições, o BE teve um crescimento robusto, o PAN afirmou-se como partido relevante, o PCP acentuou a sua crise e o CDS mostrou que a única coisa que pode aspirar a liderar é uma qualquer pequena carrinha. Nada de extraordinário.

O facto mais significativo foi a enorme derrota do PSD, e essa, sim, pode ter consequências políticas mais profundas.

Rui Rio tinha definido uma estratégia clara. Tentar atrair o centro fazendo um discurso moderado sem temer concordar com propostas viessem de onde viessem. As coisas começaram a correr mal porque Centeno ainda foi mais moderado do que ele e conseguir passar a imagem de que gostava ainda mais de boas contas do que o ex-autarca do Porto. No entanto, foram três erros de palmatória que resultaram na debacle de domingo.

O primeiro foi a oposição à medida do Governo sobre os novos passes sociais que, ninguém duvida, o Rio presidente da câmara apoiaria. Essa perceção de que Rio estaria a criticar por criticar começou a minar a ideia do homem que diz sempre o que acredita.

O segundo foi a escolha de Paulo Rangel. O ex-candidato à liderança do PSD foi o anti-Rio. Quando se esperava que Rangel seguisse a linha do PSD, não refreou a sua veia costumeira (a velha história da tartaruga e do escorpião mais uma vez comprovada) e desatou numa campanha de berraria que apenas serviu para confundir os eleitores sobre o suposto novo caminho do PSD. Como espécie de sobremesa, no discurso de derrota sacudiu a água da derrota do capote e atirou-a para Rui Rio, uma coisa que até os opositores internos ao presidente do PSD deve ter arrepiado.

O terceiro erro foi a posição do PSD na questão da reposição das carreiras dos professores. O homem austero e das contas certas acha que o Estado deve aumentar a despesa fixa e esquecer a crise por que passamos? Incompreensível.

Estes erros têm em comum irem contra a estratégia que Rio definiu e que, de uma forma interessante, voltou a enunciar no discurso de derrota de ontem.

Rui Rio deixou-se levar na cantiga de quem passa a vida a repetir que a oposição tem que ser violenta, de ser sempre do contra e de repetir a toda a hora a bancarrota e o fantasma Sócrates. Deu este lindo resultado.

Resta a Rui Rio voltar à sua estratégia inicial e rezar para que não seja demasiado tarde.

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