Nuvens cinzentas

O início das aulas intromete-se, numa espiral de tumultuoso frenesim, no dia a dia das famílias, desejosas que o ano letivo prestes a arrancar seja benfazejo e sem sobressaltos, almejando o regresso a uma nova normalidade.

Normalidade que se perspetiva de forma mais abrangente, uma vez que as regras e os procedimentos instituídos nas escolas, motivados pela COVID-19, são substituídos pelos comportamentos responsáveis da população educativa, que pela adoção de medidas pró-ativas defendem-nos a todos da propagação de qualquer vírus. As bolhas, os circuitos de sentido único, os espaços de acesso condicionado, as salas de aula por turma, entre outras, fazem parte do passado, pretendendo-se que o mesmo se afaste o mais possível, para que o processo ensino-aprendizagem flua positivamente.

Neste âmbito, os manuais escolares são parte do material para não esquecer nas mochilas dos alunos, mas alguns irão menos carregados para as escolas, pois o digital substituirá o papel - em prol da saúde dos alunos, em benefício do ambiente (diminuirá o número de abate de árvores), e com ampla vantagem na motivação e atenção dos alunos, fazendo, deste modo, uso efetivo de um instrumento facultado pelo ministério da Educação - o computador.

Todavia, em pleno arranque do ano letivo 2022/2023, uma nuvem cinzenta paira no horizonte, ameaçadora e inquietante, apesar dos esforços da tutela em evitar a virulenta enfermidade: a escassez de professores.

Este mês e o próximo serão importantes para determinar se o sistema responde às necessidades que, semanalmente (seguramente durante todo o ano), os diretores solicitam no respeitante à colocação de docentes. Já com efeitos para este ano letivo, em algumas regiões do país - Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, e em disciplinas sinalizadas, algumas escolas avançaram, em agosto, para a contratação ao nível de escola, dado não existirem professores nas listas para determinados horários.

Esta situação faz presumir a dificuldade imensurável que se sentirá, durante o decurso do ano, para conseguir a substituição de docentes. É necessário atenuar os efeitos do problema a curto prazo, mas torna-se imperioso resolvê-lo a médio e longo prazo com a aplicação de medidas assertivas que tornem atrativa a profissão, que implica, necessariamente, valorizá-la e dignificá-la.

As crianças e os alunos merecem o melhor no decurso das suas aprendizagens, sendo necessário para o processo de desenvolvimento de capacidades e competências o comprometimento coordenado de todos, cabendo aos pais e encarregados de ​​​​​​​educação um papel facilitador, fundamental para a felicidade integral dos seus educandos.

Certo é que os profissionais das escolas estão conscientemente preparados para mais um ano desafiante!

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