O clássico do nosso confinamento

Desta vez, o novo confinamento dos portugueses começa com um clássico do futebol. Só para ver na televisão, mas, ainda assim, uma novidade. É que no confinamento passado nem futebol houve.
É esta uma das mudanças no alinhamento para as próximas semanas. O futebol (entre outros) não está obrigado a reclusão, uma medida de bom senso se levarmos em linha de conta que foi, no seu funcionamento interno, um dos setores de atividade que mais rigor demonstrou no cumprimento das regras sanitárias. Além de que até nem é má ideia podermos ver bons jogos enquanto estivermos confinados. Portanto, aí está um FC Porto - Benfica.

Aquilo que é definido normalmente como "o momento" de cada uma das equipas, indicia um FC Porto com uma consistência que o Benfica não tem demonstrado. Viu-se o reflexo disto mesmo na última Supertaça, que até foi há pouco tempo, sendo que, de então para cá, não se notaram alterações substanciais nas prestações das duas formações.

Quer isto dizer que os dragões têm o triunfo assegurado? Não, pela simples razão - como bem avisou o próprio Sérgio Conceição - de que a história, próxima ou longínqua, vale pouco ou nada no contexto de um clássico. No entanto, há fatores a ponderar.

Ambas as equipas vêm de uma eliminatória da Taça, que ultrapassaram, embora com diferenças. Enquanto o FC Porto teve uma deslocação à Madeira que incluiu mais 30 minutos do que pretendia, o Benfica mudou praticamente todo o onze na Amadora, de tal forma que, no Dragão, Jorge Jesus vai apresentar uma equipa que "descansou" quase uma semana.

Em contrapartida, os dragões estão numa fase de afirmação, porventura a melhor da temporada, em que o espírito de sacrifício coletivo potencia a capacidade individual de jogadores como Pepe, Sérgio Oliveira ou Taremi. E só não acrescento Otávio porque, tudo o indica, a Covid-19 deverá tirá-lo do jogo (tal como sucedeu a Pizzi na Supertaça).

Do lado das águias a grande questão mantém-se na zona nevrálgica do meio campo. É um problema ainda não encerrado, percebendo-se que Pizzi e Weigl são prioritários, falta saber o que Jesus reserva a Gabriel. Quanto ao resto, na defesa e na dupla de ataque, é pouco provável que surjam surpresas.

De qualquer forma, este jogo adquire uma notória importância para o FC Porto, mas ainda mais acentuada para o Benfica. Quem vai atrás arrisca sempre mais, pois uma derrota tornaria a situação bastante problemática, mesmo quando ainda falta muito campeonato. Ao invés, um resultado positivo poderia ajudar a uma viragem no ânimo dos encarnados. Só que Conceição sabe isto melhor do que ninguém...

Com as atenções centradas no clássico, o Sporting - Rio Ave acaba inevitavelmente por passar para segundo plano. No entanto, a relevância daquilo que os leões fizerem é maior do que aparenta. Convém não esquecer que o Sporting é líder e que aquilo que fizer perante os vila-condenses tem consequências.

Se a equipa de Ruben Amorim conseguir ganhar, atendendo a que é favorita e joga em casa, então terá a vantagem suplementar de um eventual triunfo valer mais do que três pontos. É que, no desafio do Dragão, alguém vai garantidamente falhar a vitória (FC Porto, Benfica ou ambos), o que significa que o líder pode reforçar a sua posição nesta jornada.

Mas, por outro lado, se as coisas correrem mal ao Sporting, esta visão ideal para os leões transforma-se - também garantidamente -, num retrocesso. Na verdade, esta é uma jornada de fronteira que, como todas as deste género, não pode ser vista isoladamente.

A principal missão de Amorim, perante esta partida, é recuperar emocionalmente um grupo que acaba de ser eliminado da Taça de Portugal. No campeonato, pelo contrário, permanece imbatível. E é nisto que o treinador deve insistir, pois os factos mostraram que esta cadência de jogos non-stop podia ser um risco para um plantel que não estava habituado a tal coisa.

Portanto, mesmo sem Nuno Mendes, Sporar e Luis Neto (alvos da Covid-19), além do castigado Feddal, os leões têm de recolocar o foco naquele que é o maior objetivo da temporada, ou mesmo o único (a Taça da Liga, logo a seguir, é tão imprevisível para eles como para os restantes participantes). Espera-se é que não repitam alguns equívocos do jogo com o Marítimo, pois este Rio Ave também conhece bem os conceitos dos leões.

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