O elefante não está no meio da sala e o rei não vai nu

A terceira vitória interna de Rui Rio, contrariando todas as expectativas, vencendo o que toda a gente pensou invencível, o aparelho do partido, deixou muita gente à procura do elefante no meio da sala. Houve quem se atrevesse a ver o que a falta de coragem dos outros, na opinião deles, não lhes permitia ver. Sem capacidade de comprovarem a sua tese, apenas na base do achismo, descobriram que Rangel teria perdido por ter revelado a sua homossexualidade.

Afinal, ao contrário do que pensavam, o país ainda estava no século passado e o PSD na Idade Média, onde, com a coragem deles, ficamos a saber que o rei vai nu. Foi pena, por menos de dois mil votos, o país podia, pelo menos aos olhos dos que não entendem a vitória de Rio, ser um país progressista e o PSD uma lufada de ar fresco, com um rei deposto e uma corte de regresso aos corredores do palácio.

Há quem diga não querer que a homossexualidade seja um "handicap", mas não tenha pejo nenhum em usá-la como desculpa. Viver este assunto com naturalidade é perceber que a homossexualidade faz parte da identidade de Rangel. Ponto final, parágrafo. Não diz rigorosamente nada dele como pessoa e como político.

Aliás, Rangel passou à história, mas os passistas não. Podem fazer de conta que não existem, que não são um grupo de pessoas que se revê numa forma de fazer política, que se afirmou com Passos Coelho na liderança e governou com medidas que iam para além do que estava negociado com a Troika, mas existem e foram derrotados três vezes por Rui Rio.

São um exército sem general há vários anos e, por isso, apoiaram Santana na primeira eleição e Rangel na terceira. Verdadeiramente, o problema deles só é Rio porque é Rio que está no lugar que eles entendem dever ser ocupado por um deles ou por alguém em quem eles julguem poder mandar. A unidade que reclamam é uma responsabilidade exclusiva do líder, deles se deve esperar apenas a defesa dos seus interesses.

O aparelho nem tréguas, por causa das eleições de 30 de janeiro, deu ao líder e já estão a distribuir os lugares como se nada tivesse acontecido. Os passistas, pelo menos os mais ilustres, guardam-se para nova tentativa de ganhar o partido. O que verdadeiramente espanta é que, tendo a generalidade da comunicação social do lado deles contra Rui Rio, contando com um projeto como o Observador ao seu serviço, mesmo assim, o que espanta é que sejam capazes de perder tantas vezes. Depois do desastre que foram as autárquicas de 2017, perder três vezes seguidas contra um companheiro de partido que desprezam, é obra. Ainda se acham mais capazes que todos os outros para governar o país.

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