O Facebook acelerou a desconstrução da nossa democracia?

"O Facebook acelerou a desconstrução da nossa democracia." Quem o diz é Mark Zuckerberg, esta quarta-feira ouvido no Congresso norte-americano. Afinal, a democracia precisava de ser desconstruída?

No seu espaço de opinião semanal na antena da TSF, Adolfo Mesquita Nunes aborda aquele que diz ser um dos grandes desafios da democracia: acomodar as exigências de quem está habituado à velocidade das redes sociais e dos avanços da tecnologia.

Com "as novas tecnologias resolvemos os problemas que temos mais rapidamente", o que cria uma "sensação de impaciência relativamente aquilo que demora mais tempo", nota.

E por natureza, a democracia leva tempo, lembra o ex-vice-presidente do CDS: "Tem procedimentos, tem formas, é necessário ouvir os outros, consensualizar, estudar, pensar as políticas".

O paradigma do mundo digital pode dar origem a "uma geração de impaciente com o tempo que a democracia demora a resolver as coisas", o que representa uma pressão muito grande sobre os sistemas políticos.

"As redes sociais não só são parte disto como também encurtam os tempos de indignação." E o calendário político fica obrigado a trabalhar não a longo prazo, não a curto prazo, mas a "nanoprazo".

Para Adolfo Mesquita Nunes "este é um terreno fértil para os populistas, porque estes dizem que há uma resposta muito simples e muito rápida para todos problemas. A democracia só não está a resolve-se por um qualquer motivo conspirativo essa medida não interessa aos poderosos ou às elites".

Por outro lado, sob risco de transformar as redes sociais em "antecâmaras da censura", não é simples criar mecanismos de regulação dos espaços de opinião online.

"Não houve nenhum ditador do mundo que, antes de começar a censura, não tenha dito que era preciso proteger as pessoas das notícias falsas, dos rumores e das pessoas mal-intencionadas", nota o ex-vice-presidente do CDS.

Também o grande poder de empresas como o Facebook dificulta o confronto com uma "realidade que não é Estatual", para a qual "nossos quadros regulatórios não estão preparados".

O futuro da democracia é incerto, mas se surgirem novas formas de Governo o essencial é preservar as liberdades individuais - "A liberdade não nos é dada pelo Estado, é o Estado que se limita em função da nossa liberdade", ressalva Adolfo Mesquita Nunes.

* Texto redigido por Carolina Rico

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