O governo tem medo

O governo está com medo. Provavelmente, tem razões para estar. A montanha russa em que viajamos durante esta pandemia, com bons números quando se restringem as liberdades e números péssimos quando os portugueses não correspondem com o máximo de responsabilidade ao máximo de liberdade, essa montanha russa aconselha cautelas. É por isso que o governo não quer ouvir falar de desconfinamento.

Como vimos no fim de semana passado, os portugueses são uns otimistas irritantes. Com o sol a brilhar no céu, milhares julgaram ter visto a luz ao fundo do túnel e correram para a beira-rio, em longos passeios e sessões de repouso em relva macia. Muitos sem máscara, cruzando-se às centenas uns com os outros, sem máscara. A polícia, municipal e de segurança pública estava lá a ver, mas não tinha meios para fazer diferente do que fez: nada!

O governo está com medo e prescinde de fazer cumprir as regras que faz aprovar na Assembleia da República, porque considera que tudo o que fizer ou disser pode chatear o povo que está confinado. O incumprimento à beira-rio praticado parece ser uma válvula de escape mais aceitável do que falar verdade aos portugueses e apresentar-lhe as linhas vermelhas e verdes com que se faz e desfaz um confinamento. Esta alternativa, na cabeça dos nossos governantes, pode dar ideia aos desordeiros de que o pior já ficou para trás. Como se esses, uma minoria, precisassem de desculpa para porem em causa a saúde de todos outros e prolongarem este confinamento que a todos afeta.

Não se pede, e não pede o Presidente da República, que o governo se apresse a desconfinar, nem a fazer discursos sem fim sobre as condições necessárias para que isso aconteça. O que importa dar às crianças e aos pais, que acrescentam ansiedade e stress ao momento que vivem por causa do ensino à distância, é um plano em que seja possível ver uma luz verdadeira ao fundo do túnel. Um plano que sirva de incentivo para que todos cumpram as regras, porque saberão que quanto mais cumpridores forem, mais perto estarão de poder enviar os seus filhos de regresso à escola. O governo que tem medo que os portugueses criem falsas expectativas é o mesmo que não tem medo das consequências de um ensino à distância que é um verdadeiro fiasco.

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