O ídolo desportivo e a cerveja da malta

Sou fraco consumidor de cerveja, eu sei. Contudo não posso deixar demonstrar o meu descontentamento e manifestar o meu protesto pelo mau gosto e falta de senso do patrocinador da obra. Mau gosto, por revelar uma atitude de prepotência e falta de senso, porque tenta subverter valores que não podem estar cotados em nenhuma bolsa.

Embora a cidade do Porto seja ainda conhecida pelo famoso vinho com o mesmo nome (que, neste caso, não tem marca comercial nem precisa de rótulo XXL no frontispício da Câmara Municipal), também o pavilhão Rosa Mota não deveria nunca mudar de nome para agradar ao investidor. Isto poderia até fazer algum sentido se esta consagrada marca de cerveja nortenha tivesse construído de raiz um pavilhão público nesta cidade. Mas como se sabe, não foi o caso.

O estádio do Dragão por exemplo, não precisou mudar de nome para ostentar um gigantesco anúncio publicitário que já se enxerga da ponte do Freixo. Não me parece boa prática querer misturar o herói desportivo e a publicidade.

É certo que "o desporto vende ", mas é o "ídolo" que orienta o sonho e pode orientar o nosso rumo. Este ideal não tem preço. A publicidade tenta influenciar aquilo que podemos comprar em cada momento. Coisas muito diferentes e incomparáveis, nem no tamanho das letras, não acham?

PS: Apetecia-me até, quando for à Cufra jantar, pedir em voz alta: " Uma francesinha e uma Rosa Mota, por favor..." Mas não, também não seria de bom gosto.

* Professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e ex-diretor do Centro de Medicina Desportiva do Porto.

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