O importante e o determinante

Sem tempo para refrear o andamento, num dia joga-se na Europa, no outro já se está a jogar para a Liga nacional. Depois de um pleno português de vitórias na UEFA, aí estão as contas internas.

A jornada 6 arranca, desta vez, com o FC Porto em Paços de Ferreira. O calendário apertado do cruzamento entre o campeonato e a Liga dos Campeões estipula que os dragões - à semelhança de Benfica e Braga na Liga Europa - pouco mais possam fazer do jogar, recuperar e...jogar. A gestão das duas frentes é que constitui o grande desafio a Sérgio Conceição.

Na Champions, passado o obstáculo Olympiacos - como era necessário para recolocar a equipa na corrida pelo apuramento - segue-se o Marselha, numa partida em que o FC Porto pode ganhar terreno caso vença.

E é aqui que surge a questão Paços de Ferreira. Os dragões estão no terceiro lugar e sabem que acabaram os passos em falso. É verdade que a carreira europeia é importante, só que a campanha interna é determinante. Daí que Conceição defina o desafio da Mata Real como "uma final". Ele sabe, melhor do que ninguém, que ganhar é mesmo a única saída possível.

Tal como a partida com o Gil Vicente foi equacionada em articulação com o desafio com os gregos, também as opções para Paços têm de ser feitas com o Marselha no horizonte. Só que, os cinco pontos de atraso para as águias não deixam margem para grandes mudanças no fundamental da equipa.

Já o Benfica, à medida que a caminhada vitoriosa na Liga Europa vai avançando, fica com outra "mobilidade" no campeonato. Onde, recorde-se, é a única equipa só com triunfos.

A deslocação ao Bessa é, tradicionalmente, de exigência maior, mesmo em fases em que os axadrezados não estejam exuberantes. O Boavista até ocupa uma das últimas posições na classificação, mas será mais simples? Não necessariamente. Depende de como o Benfica fizer prevalecer a sua capacidade de pressão. Alta, entenda-se.

Jorge Jesus até já chegou a dizer que podia mudar uma equipa inteira que não haveria grande diferença. Mesmo que não seja rigorosamente assim, é um facto que o plantel encarnado dá para quase tudo.

Portanto, é provável que a intenção do líder seja tentar adquirir vantagem no marcador o mais cedo possível, de forma a poder gerir o resto da partida sem grande desgaste. Porque - lá está, vamos sempre dar ao mesmo - o Benfica vai defrontar logo a seguir o Rangers com a discussão do primeiro lugar no grupo em equação.

A fechar o trio de mosqueteiros portugueses na UEFA está o Braga. Curiosamente, numa situação muito semelhante à do Benfica, isto é, vai discutir com o Leicester a liderança do grupo. Carlos Carvalhal parece estar a chegar perto do tal ponto de equilíbrio com o campeonato português, onde continua a recuperar lugares. Talvez opte por uma "poupança calculada" perante o Famalicão, mas que lhe garanta os três pontos.

Entretanto, depois do acerto de calendário, o Sporting confirmou o segundo lugar na tabela, o que reforça a responsabilidade interna acrescida por não estar nas competições europeias. Ou seja, os leões têm de colocar todas as fichas no campeonato com os olhos numa qualificação para a Champions.

A equipa de Ruben Amorim cumpriu a intenção prioritária de vencer as duas partidas do recente miniciclo (Santa Clara e Gil Vicente) - e até igualou os 13 pontos de Jesus no melhor arranque quando esteve em Alvalade -, mas de pouco lhe servirá se não acrescentar à sequência um triunfo perante o Tondela.

Amorim continua a precisar de tempo, face à profunda reformulação do plantel. Aliás, foi ele próprio quem confessou que o Sporting está a ganhar como um grande, sem jogar como um grande. Percebendo-se que Palhinha é um dado adquirido, que Pedro Gonçalves e Nuno Santos se tornaram obrigatórios e que Nuno Mendes está em clara ascensão, os leões esperam que João Mário possa ser rapidamente o pêndulo de que a estrutura sente falta. E, na frente, Sporar não será a alternativa inevitável?

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