O momento de fazer as escolhas certas

Com a diminuição da vantagem do líder de dez para oito pontos, é natural que a principal curiosidade da jornada se centre na resposta que o Sporting pode dar a este novo cenário. A partida com o Famalicão é, certamente, um dos momentos mais importantes da carreira leonina no campeonato. FC Porto, Benfica e Braga vão estar atentos, mas também não os aguardam tarefas simples.

Ruben Amorim já sabia - ele próprio o assumiu - que a pressão começaria a subir à medida que a maratona se aproximasse do fim. Para os leões, a cada ronda que passa, já não chega manter o "discurso distanciado" do jogo a jogo. Agora, é mesmo a defesa da liderança que conta.

Quando, na passada semana, referia que o Sporting entrava na derradeira dezena de jornadas com a incumbência de olhar para elas como uma contagem decrescente, significava que tinha terminado o (largo) período em que os leões fizeram valer o seu estatuto de outsider.

Acontece que o Sporting foi-se afirmando - aproveitando com enorme competência todos os fatores que marcam esta época atípica - e transformou-se no candidato número um, o tal que apenas depende dele próprio. Para todos os efeitos, oito pontos de avanço, com nove partidas por realizar, continua a ser uma margem confortável.

Portanto, se regressar aos triunfos reforça a sua crença e, mais que isso, mantém a concorrência em sentido. Mas se derrapar novamente não só começa a lançar dúvidas sobre a sua capacidade para aguentar a reta final, como alimentará ainda mais a esperança dos perseguidores (caso estes vençam, bem entendido).

Não se pode dizer que o Famalicão seja o adversário ideal para uma vitória garantida, pois é um dos que está a lutar pela permanência e, desde que Ivo Vieira chegou, começou a mostrar que, afinal, era capaz de fazer bem melhor do que mostrara até então.

Uma vez mais está tudo nas mãos de Amorim. Depois das duas únicas derrotas na temporada - que ditaram a eliminação da Liga Europa e da Taça de Portugal - o treinador leonino soube gerir animicamente o grupo, seguindo o percurso sem quaisquer oscilações emocionais. Ora, é a altura exata para reequilibrar as hostes e fazer as escolhas certas. O duelo com o Famalicão é vital neste contexto.

Esta é a questão que se coloca ao líder. Mas, insisto, a principal atração do que resta do campeonato está na corrida de FC Porto, Benfica e Braga pelos dois lugares de Champions que o Sporting deixará em aberto (com ou sem título, os leões vão certamente carimbar a entrada direta). E qualquer um dos três interessados teve dificuldades para assegurar o triunfo no último teste.

O FC Porto vai a Tondela no intervalo de uma eliminatória com o Chelsea que, embora de facto não esteja encerrada, ficou bastante mais complicada face ao desfecho da primeira mão.

Sem questionar que o técnico vai tentar tudo o que for possível na versão Sevilha-parte II para reverter o desaire anterior, a verdade é que está vedada aos dragões qualquer falha no jogo do campeonato. Para usar uma expressão antiga de Sérgio Conceição, "a Champions do FC Porto" é agora o desafio de Tondela. É um dilema clássico: apostar em dois tabuleiros quando um é mais viável do que o outro.

Sem condicionantes europeias, o Benfica tem uma visita a Paços de Ferreira que pode ser mais complexa do que se pensa. É certo que as águias vão melhorando de forma progressiva - sobretudo no processo defensivo -, mas Pepa já mostrou que é um técnico suficientemente sagaz para contornar obstáculos deste calibre quando joga na Mata Real (como FC Porto e Braga bem sabem).

Além do mais, o Paços tem uma ida à Conference League no horizonte e, também por isto, não vai querer comprometer a sua posição.

Só que Jorge Jesus tem um problema bem mais bicudo para resolver: a necessidade da entrada direta na Liga dos Campeões. E, feitas as contas, sabe que o conseguirá se vencer as nove partidas que lhe restam. Portanto...

Falta referir o Braga aquele que, em tese, está numa situação mais confortável nesta jornada. Recebe o Belenenses SAD, uma equipa com a qual já perdeu, mas os tempos também são outros. O grande problema com que Carvalhal se depara prende-se com o facto de o adversário ser dos que menos golos sofre. Mas os minhotos, se souberem, têm soluções para isso.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de