O Mundo e as Comemorações de Julho

Se pensarmos em política internacional neste mês de Julho há duas comemorações que saltam à vista. À cabeça temos os Estados Unidos da América e o seu 4 de Julho e dez dias depois o feriado nacional francês: o 14 de Julho. São datas importantes e que preconizam dois momentos revolucionários com impacto sistémico. O mundo foi mesmo transformado por tudo o que aconteceu em França e naquelas 13 colónias do então chamado Mundo Novo.

No entanto, Julho também é o mês em que o Partido Comunista da China celebra o seu centenário. É verdade, foi em 1921 que esta organização política foi fundada na cidade de Xangai. Há, desde logo, uma constatação óbvia: quem diria há 100 anos que o Partido Comunista da China iria sobreviver, conquistar o poder e dirigir um colosso económico? Em 1921, a grande força política era o Partido Nacionalista liderado por Sun Yat-sen, uma figura consensual e inclusiva, considerado o Fundador da República da China, ou melhor, da então jovem e muito frágil República de 1912. Uma República ocupada em boa parte por estrangeiros, enfraquecida e que seria depois vítima de uma brutal e cruel invasão japonesa nos anos trinta.

Cem anos depois o tabuleiro do poder político chinês está invertido. O Partido Comunista está no poder em Beijing, aliás desde a fundação da República Popular da China em 1949, ano em que o Partido Nacionalista passou a estar acantonado em Taiwan. Mais ainda, atualmente o histórico Partido Nacionalista não está sequer no poder em Taipé, mas sim na oposição. De facto, muito mudou ao longo destes cem anos e mesmo a própria União Soviética já não existe e nem Moscovo é vermelha.

O actual líder da China, Xi Jinping, vai no seu segundo mandato como secretário-geral do partido (de longe o cargo mais importante) e também como Presidente da República Popular. Xi está ao leme de um país que teve um século XX muito, muito difícil. Basta pensarmos nos pesadelos que foram a Grande Fome ou a Revolução Cultural. A China de hoje é sobretudo um produto da liderança de Deng Xiaoping e da sua visão.

Ao contrário de 1921, a China é actualmente um país soberano pleno com uma presença internacional vincada e forte. E é também uma ditadura com uma influência política cada vez mais evidente além-fronteiras.

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