O pesadelo em Belém

Não há sondagem que indique a mínima hipótese de a direita derrotar a esquerda com as atuais lideranças partidárias, mas também não há sondagens a mostrar como reagirão os portugueses no dia em que António Costa bater com a porta. Se isso acontecer, ou melhor, quando isso acontecer, o contador regressa a próximo de zero e o que hoje parece impossível pode tornar-se provável.

Da estabilidade em que Marcelo viveu o primeiro mandato para o ponto onde agora se encontra, vai a distância do sono dos justos para o pesadelo em Belém. O Presidente, por estes dias mais desconfortável na relação com o primeiro-ministro, parece já não acreditar que Costa suceda a Costa e isso apressa-lhe a vontade de ter uma liderança forte à direita, que seja uma forte alternativa a uma esquerda mais encostada à esquerda.

O equívoco de Marcelo está, no entanto, na ideia de que em qualquer circunstância o regresso de Pedro Passos Coelho é o melhor cenário para a direita regressar ao poder. Se parece ser evidente que ninguém se apresenta em melhores condições para unir a direita, também é verdade que ninguém à direita dá tanta força à esquerda para se unir. Se a opção do PS for por Pedro Nuno Santos, então os socialistas agradecerão à direita que volte a cerrar fileiras em torno de quem governou o país em tempo de austeridade. Sem Costa e com Pedro Nuno à esquerda, o que a direita vai precisar é de alguém que volte a ter capacidade de conquistar o centro, porque é lá que se continuam a ganhar eleições.

Com o tabu alimentado na última entrevista ao Expresso, António Costa prepara o partido para uma inevitabilidade, mas perde autoridade como primeiro-ministro, porque ninguém se afirma líder quando preanuncia uma desistência. A primeira consequência, contudo, acontecerá no campo político adversário, porque, sem Costa no caminho, haverá mais vontade de liderar a direita, na expectativa de que o poder acabará por ficar mais perto e cair no colo de quem estiver sentado no cadeirão da São Caetano à Lapa. Ou Rui Rio tem um milagre e consegue um resultado muito acima das expectativas ou, perante uma pequena melhoria face a 2017, não faltará quem lhe lembre que o resultado conseguido é poucochinho.

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