O péssimo, a esperança e o caricato!

A sociedade mundial depara-se com uma numerosa variedade de "vírus" resistentes que, inerente às suas características, propagam-se de forma célere, atingindo diversos setores, atividades e pessoas, causando, inevitavelmente impacto assaz negativo. E se, no passado, a disseminação se circunscrevia à proximidade de regiões, atualmente percorre continentes. Em dezembro de 2019/janeiro de 2020, a Covid-19 atingia os países orientais e, dois meses volvidos, Portugal via-se a braços com a pandemia que obrigava o primeiro-ministro a decretar medidas inéditas e robustas.

E, atualmente, é caso para se dizer "Do Oriente, nem bom vento, nem bom casamento" e a história repete-se, mas numa outra dimensão. A série norte-coreana "Squid Game", extremamente violenta, com estreia em setembro na Netflix, está a causar forte apreensão em diversos países, pelo facto de ser um fenómeno de popularidade entre os mais novos, impelindo os responsáveis políticos a emitir orientações às suas escolas. Tal como a Covid-19, a imunidade dos nossos jovens relativamente a este novo vírus está diretamente relacionada, entre outros fatores, com a atuação responsável e protetora das famílias e, colaborativamente, das escolas.

É obrigação dos pais e encarregados de educação acompanharem os conteúdos que os seus educandos visualizam nas televisões, redes sociais, etc. Os profissionais das escolas, sabendo o seu papel primordial, deverão estar atentos às implicações nefastas produzidas em sala de aula, nos recreios e outros espaços, monitorizando o comportamento e as atitudes dos nossos jovens, para, em face a sinais de alerta, delinear estratégias de intervenção em conjunto com as famílias. Estamos avisados para este novo vírus!

Nos últimos dias, foi noticiado o falecimento de um aluno, vítima de paragem cardiorrespiratória. É pena que só nestas alturas se ative a discussão que dá conta da imperiosa necessidade de as escolas serem dotadas de um instrumento salvador de vidas: os desfibrilhadores. Todavia, a experiência dita a má prática de se iniciar a construção da casa pelo telhado, ou seja, de que serve existirem estes equipamentos sem capacitar os profissionais escolares da adequada formação para os saber usar devidamente? Neste sentido, o Ministério da Educação, através dos Centros de Formação de Associação de Escolas, em parceria com o INEM, encontra-se a promover a formação de dois professores de Educação Física, por escola, na área do suporte básico de vida com desfibrilhação automática externa. Aguarda-se, entretanto, a chegada às escolas dos aparelhos, pela importância vital que poderão assumir em locais onde diariamente circulam milhares de pessoas.

A discussão do Orçamento a que temos assistido, mormente no período de negociações, é plena de momentos dramáticos, cómicos e até anedóticos. E assume-se redundante, ano após ano - a Oposição finge não viabilizar, o governo dissimula incómodo exagerado, o Presidente da República tenta conciliar algumas birras previsíveis, mas a aprovação será uma certeza. Entre ganhos e perdas, gostaria que a verba prevista para a Educação fosse reforçada, principalmente a destinada aos recursos humanos. No entanto, o setor em causa parece não merecer a devida preocupação/discordância por parte de alguns sindicatos de professores, diligentes na marcação de greves (já anunciadas), atitude tradicional por esta altura, desacreditando a sua eficácia, na falta de outras iniciativas úteis e meritórias.

O Orçamento do Estado revela-se um instrumento essencial para o progresso de uma nação; pergunto: pode um país avançar se a aposta na sua Educação for espartilhada, reduzindo as verbas sempre aos mínimos?

O Ministério das Finanças não tem demonstrado respeito pela Educação de Portugal, reservando-lhe um montante irrisório face às necessidades sentidas, usando e abusando, posteriormente, das cativações referentes aos valores atribuídos às escolas. O Orçamento do Estado 2022 deverá refletir, inequivocamente, um investimento efetivo e justo, pois não podemos esquecer que o país e os profissionais que o governam receberam as suas bases a partir dos bancos das escolas, apoiados por professores de excelência, que os inspiraram a abraçar as carreiras profissionais que hoje os dignificam. É altura de mostrar reconhecimento.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de