O que os rankings das escolas não medem

Em Coimbra, duas professoras e uma funcionária estão de baixa, após agressões por um aluno de 11 anos com necessidades educativas especiais. Em Valença, duas manifestações protestaram em sentidos aparentemente contrários, mas que nos princípios deveriam convergir: contra a violência e contra o racismo de que a comunidade cigana se sente alvo. Em Lisboa, um professor agrediu violentamente um aluno, alegadamente por não largar o telemóvel. Em Queluz, os pais manifestaram-se para exigir mais segurança, depois de uma sucessão de incidentes que culminou numa agressão a um professor da direção.

Os contextos e as circunstâncias dos casos são bastante diferentes, mas expressam de forma concreta um ambiente de violência traduzido em estatísticas e estudos sobre as escolas. Os números mostram que a agressividade faz parte do quotidiano dos alunos, nomeadamente entre eles, de tal forma que, revelam os mais recentes dados do "Violentódromo", investigação desenvolvida pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), 90% têm comportamentos que se enquadram em violência psicológica e dois terços praticam agressões físicas.

Prevenir e criar uma cultura de respeito pelos outros, tornando a escola um espaço seguro, é uma tarefa de longo prazo, que implica o envolvimento de toda a comunidade e é também uma missão da escola, a quem compete desenvolver projetos de promoção da igualdade, da não-discriminação, da cidadania e não-violência.

Mas há, a par desse investimento na educação, um problema imediato de recursos para o qual é urgente a atenção do Governo. O primeiro passo é a pacificação da relação com os professores, já que o clima de guerra apenas tem contribuído para um discurso de desmotivação e sobrecarga que, contudo, não pode permitir a desculpabilização de situações como a agressão na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, para a qual haverá certamente apuramento de responsabilidades. O que não pode é haver um discurso agressivo contra a classe que permita uma permanente erosão da autoridade do professor, cujo papel deve ser valorizado por todos, pais e tutela incluídos.

Um segundo ponto passa pela contratação de mais assistentes operacionais, cujo papel é essencial no acompanhamento dos alunos e na deteção ativa de situações de risco. Já para não falar de casos específicos como os de alunos com necessidades educativas especiais, para quem a lei caminhou no sentido correto da integração, mas sem que esse princípio legislativo tenha sido acompanhado dos recursos adequados.

Uma escola onde alunos e professores não entram todos os dias confiantes, conhecendo os valores do respeito e da valorização do outro, é uma escola que está a falhar o objetivo essencial de formar cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres. Um objetivo que não é medido nos rankings, mas que é anterior e transversal a qualquer avaliação.

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