O tempo novo só chegou agora

Portugal é liderado por dois dos políticos mais experimentados nos bastidores, na intriga, na capacidade de criar factos políticos. O Bloco Central continua dominante.

A Esquerda e o candidato que queriam levar à segunda volta proclamam desde novembro que Portugal vive um tempo novo. Tinham razão, antes do tempo. Esse tempo novo chegou agora, com a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa e com a forma como essa vitória foi conseguida. Não há nada, rigorosamente nada aqui que seja contra os partidos, nem nunca esteve à vista uma implosão do sistema. Portugal é liderado por dois dos políticos mais experimentados nos bastidores, na intriga, na capacidade de criar factos políticos. Pode parecer que cumprem apenas o seu destino, mas a história diz-nos que foram eles a contrariar o que lhes estava destinado e só por isso são hoje primeiro-ministro e Presidente da República. O Bloco Central continua dominante.

E é por causa da força e habilidade destes dois políticos que, com a excepção do Bloco de Esquerda, todos os outros partidos estão obrigados a mudar de vida. O CDS já o vai fazer e tem em Assunção Cristas uma futura liderança capaz de restituir ao partido a sua matriz democrata-cristã. O PCP demorará um ano a fazer essa mudança, mas é desta forma que os comunistas mudam alguma coisa para que tudo fique na mesma. Mais difícil será a mudança no PSD, porque o partido quererá dar a Passos Coelho a oportunidade que pode surgir com uma eventual ruptura na coligação das esquerdas. Antes de 2017, os social-democratas não terão outro líder.

A instabilidade interna gerada pelo mau resultado de Edgar Silva, depois do partido já ter perdido para o Bloco nas legislativas, torna o Partido comunista mais perigoso para a gestão que António Costa tem de fazer com as esquerdas parlamentares. A política portuguesa está mais parecida com o mundo tecnológico em que tudo muda à velocidade da luz. Há dois meses, era consensual que o PCP oferecia ao PS mais garantias de estabilidade que o Bloco, hoje é precisamente ao contrário.

É um tempo novo em que dois políticos com décadas de preparação chegam finalmente ao topo da hierarquia, rompendo com tradições e conseguindo dar a Portugal aquilo que nunca tinha sido conseguido. Com António Costa em São Bento e Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, brevemente os consensos e compromissos de que o país precisa podem ser tentados tendo em conta todo o espectro político representado no Parlamento.

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