O xeque-mate e o cheque em aberto

Chegámos ao momento em que já se discute se ao Sporting "só" falta fazer o xeque-mate no campeonato ou se "ainda" falta fazer o xeque-mate. Semântica à parte, já todos percebemos que a decisão compete apenas, em primeira instância, aos próprios leões.

Na última semana defendi a tese de que a equipa de Ruben Amorim, caso conseguisse sair do ciclo Paços/Portimonense/FC Porto com, pelo menos, os oito pontos de vantagem de que dispunha (na altura) sobre os dragões, ficava com uma avenida aberta para o título. Acontece que, entretanto, o avanço passou para dez pontos (mais 11 para o Braga e 13 para o Benfica) o que, por maioria de razão, reforça a minha ideia inicial.

Quer isto dizer que a formação leonina precisa agora, perante o Portimonense, de repetir o que realizou frente ao Paços de Ferreira (controlar o jogo, não abdicar dos seus princípios e ser eficaz) para ficar cada vez mais perto de confirmar o que se adivinha. Se for assim, a última componente deste ciclo, a tal partida no Dragão, poderá ser jogada apontando a dois resultados vantajosos para os leões: vitória ou empate.

De qualquer modo, até porque em Alvalade ninguém quer ainda falar de título, uma coisa está a consolidar-se jornada após jornada: o Sporting caminha a passos largos para ser a primeira equipa entre as candidatas a assegurar um lugar direto na próxima Liga dos Campeões.

A menos que o Sporting entre num colapso impensável e que dois dos três concorrentes desatem a fazer uma reta final demolidora, parece inevitável o retorno da equipa leonina ao grande palco europeu. O que seria uma viragem importantíssima para os leões e uma dor de cabeça suplementar para FC Porto e Benfica.

No caso do FC Porto, que é, de longe, a equipa portuguesa com melhor performance na Champions ao longo dos anos (e o excelente jogo com a Juventus confirmou-o outra vez), a necessidade de voltar à maior prova europeia de clubes é imperiosa, não apenas por razões estritamente desportivas, mas porque significaria mais um empurrão para sair em definitivo das condicionantes determinadas pelo fair play financeiro da UEFA.

Já o Benfica, depois do falhanço no início da temporada (nem entrou na Liga dos Campeões), aliado a um investimento brutal para a nossa realidade - em contraciclo com a generalidade (até) dos maiores clubes da Europa -, não ser campeão já implica um cenário péssimo. Acrescentar a isto nem sequer obter a passagem direta para a próxima Champions, quando há duas vagas em aberto, seria um desastre.

Assim, recordo, porque campeão desportivo só haverá um, mas campeões financeiros serão dois, teremos FC Porto e Benfica com uma missão "lateral" com a qual garantidamente não contavam quando a temporada começou: fazerem marcação cerrada um ao outro para evitarem que o antagonista, no mínimo, acabe no duo dos financeiramente ganhadores. Ou seja, que fique com o outro cheque dos milhões.

Como se isto não bastasse, atenção ao Braga que vai manter-se como uma ameaça permanente à intenção de ambos, constituindo um grão na engrenagem daquela que poderia ser apenas uma discussão a dois. Só que, até ver, é a três.

Numa jornada em que o Braga recebe o Tondela, "entalado" numa eliminatória com a Roma que é praticamente impossível de reverter, Carlos Carvalhal não deixará de apostar tudo o que puder para somar os três pontos e, assim, deitar mais achas para o braseiro sobre o qual têm de atuar dragões e águias.

Quanto a FC Porto e Benfica, com uma margem de erro inexistente para tentar atingir o primeiro posto, os desafios na Madeira e em Faro surgem como a primeira etapa da tal marcação "em cima" que nenhum deles pode ignorar a partir de agora.

Com maior ou menor dificuldade, com exibições mais exuberantes ou mais apagadas, ganhar é mesmo a única saída. Tudo o resto arrisca ser um passo para o precipício.

A equipa de Sérgio Conceição vem com a embalagem emocional do ótimo triunfo europeu sobre a Juventus, a de Jorge Jesus com uma decisão ainda em aberto com o Arsenal novamente em campo neutro.

Simplesmente, as tarefas domésticas passaram a ter uma dimensão incomum. Porque a questão, nesta altura, não se resume somente a esta época. A próxima também já entra na equação.

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