Os portugueses querem continuar a ser cúmplices do assalto aos angolanos?

Daniel Oliveira considera que o Luanda Leaks vem trazer a Portugal uma oportunidade de decidir a relação que pretende ter com Angola no futuro. No espaço de comentário que ocupa na TSF, o jornalista coloca um dilema: Portugal quer que Angola seja um país próspero com um Estado moderno ou prefere continuar a ser cúmplice do assalto aos angolanos?

Na opinião de Daniel Oliveira, Isabel dos Santos tornou-se "a mulher mais rica de África" porque desviou "recursos do Estado de Angola" para o seu "labirinto de empresas"

"Isabel dos Santos não deu rigorosamente nada a Angola, nunca foi uma empresária. Essa é a primeira coisa que tem de ser dita: foi uma recetora de um regime cleptocrata, que teve a sorte de nascer filha do Presidente", acusa o comentador.

Daniel Oliveira nota como Isabel dos Santos começou com "um negócio milionário" - que, geralmente, se consegue "a meio de uma vida empresarial - ou um bocadinho depois, até!" - muito nova, sem qualquer capital nem experiência.

"Dez anos depois, já era detentora do banco internacional de comércio angolano, tinha participações na Galp, na hotelaria, nos diamantes,... Portanto, a senhora era, como se deve imaginar, um prodígio empresarial", ironiza.

A farsa de Isabel dos Santos estendeu-se a território português porque, de acordo com o comentador, a angolana "teve cúmplices na comunicação social, na política, nos negócios e nos principais escritórios de advogados em Portugal.

"Nesta investigação, estamos sempre a tropeçar em nomes portugueses, porque Portugal foi o centro do roubo organizado a Angola", declara Daniel Oliveira.

"Não havia ninguém que não soubesse de onde vinha o dinheiro de Isabel dos Santos", refere o jornalista, que fala agora num "festival de cinismo" de todos aqueles que se mostram "espantadíssimos" por a empresária angolana não ser a pessoa de "enorme honestidade" que julgavam.

Agora que se apertou o cerco ao clã Dos Santos, Daniel Oliveira admite que o cenário é "assustador" quando se pensa "no peso que Isabel dos Santos tem na economia portuguesa" (com a participação em inúmeras empresas nacionais de grande dimensão) e não se retrai nas críticas ao supervisor, o Banco de Portugal. "Ninguém percebe o que ainda lá está a fazer o governador. Nem sei se temos um governador do Banco de Portugal", atira.

E embora Daniel Oliveira acredite que os angolanos "não se esquecerão do triste papel que Portugal voltou a ter em relação a Angola", acredita que, deste escândalo, pode até sair uma consequência positiva. É que o país tem agora "uma oportunidade de decidir que tipo de relação quer ter com Angola no futuro".

"Portugal quer procurar novos parceiros em Angola para continuar o assalto aos angolanos ou quer ser um fator externo para que Angola seja um país próspero com um Estado moderno?", questiona o jornalista. Resta fazer a escolha.

Texto: Rita Carvalho Pereira

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de