Os tentáculos de Trump e o Partido Republicano

O mundo está mesmo do avesso quando nos EUA o Partido Republicano toma a decisão de afastar Liz Cheney da sua hierarquia. Para muitos o apelido, o sobrenome pode soar bastante familiar. Estamos de facto a falar da filha de Dick Cheney, vice-presidente da Administração de George W. Bush. E nessa linha Liz representa o estado do Wyoming na Câmara dos Representantes, tal como o seu pai também o fez.

Mas Liz Cheney é muito mais do que apenas a filha de uma das figuras políticas mais marcantes, influentes e controversas dos EUA nas últimas décadas. Desde logo, é coautora com o seu pai de um livro cujo título é bastante elucidativo do modo como vê o papel dos EUA no mundo: «Excecional, porque é que o mundo necessita de uma América poderosa».

E, deste modo também «poderoso», decidiu confrontar o seu Partido. Aliás, uma das frases mais importantes do seu discurso define bem a essência e a gravidade do momento: «Eu sou uma republicana conservadora e o mais conservador dos princípios conservadores é a reverência pelo estado de direito.»

Mesmo assim, os Republicanos decidiram afastá-la. E, neste momento, podemos pensar em várias razões plausíveis para a decisão do coletivo. Um escândalo? Por exemplo, acusações de corrupção? Nem por sombras. A grande razão que levou a uma decisão deste calibre prende-se com o facto de que para Liz Cheney Donald Trump tem de ser confrontado. Por outras palavras, a Representante do Wyoming não quer ser cúmplice da «mentira».

Nas suas palavras: «uma ameaça hoje como os EUA nunca presenciaram». E mais, Donald Trump «recomeçou de forma agressiva a tentativa de convencer os americanos que esta eleição foi roubada. E correndo o risco de incitar ainda mais à violência.» Neste momento para Liz «permanecer em silêncio e ignorar a mentira só encoraja o mentiroso». Uma «mentira» que se transformou «numa cruzada para minar a democracia».

Ao longo da sua carreira política as minhas divergências com as ideias e as propostas de Liz Cheney são muitas. Mas mesmo muitas.

Mas neste momento é fundamental acompanhá-la. Não só porque tem razão, mas também pelo impacto que esta «cruzada para minar a democracia» pode ter a nível mundial. Preocupa-me muito que um pilar da democracia dos EUA e ao qual associamos a sigla GOP, ou seja, «Grand Old Party», seja protagonista de um movimento que faria corar de vergonha os seus fundadores.

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