Oxigenar o país

Os portugueses têm de voltar, uma vez mais, a adaptar-se aos novos horários e às novas regras. Já não precisam de ficar retidos na Área Metropolitana de Lisboa, mas, caso queiram ir dormir ou comer fora, têm de fazer-se acompanhar de certificado digital ou teste negativo. Como os testes em laboratórios de análises clínicas são dispendiosos para uma família média portuguesa - e até mesmo os novos testes rápidos anunciados pela Cruz Vermelha custam, afinal, 60 euros por cabeça - e as farmácias continuam com filas de espera para realizar testes, o melhor é mesmo levar um autoteste no bolso e realiza-lo à entrada do hotel ou restaurante.

É fácil imaginar as filas às portas desses estabelecimentos, em pleno mês de férias. Impõe-se uma nova rotina para, diz o governo, não fechar a restauração. A ver vamos se resultará ou se, desta vez, os espaços vão encher apenas de segunda a sexta - dias em que não são exigidos quaisquer comprovativos de vacinação ou de testagem - e ficar às moscas durante todo o fim de semana. Em época de férias, os veraneantes não costumam sair de casa apenas ao fim de semana, daí que quer os cidadãos comuns quer os empresários tenham muita dificuldade em interpretar esta decisão.

Vamos atingir os 4 mil casos de infetados por Covid-19 em Portugal este mês, já o admitiu a ministra da Saúde, Marta Temido. Ontem, o país registou mais 3194 casos e sete mortes em 24 horas, segundo dados do boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), elevando para mais de 900 mil o número total de infetados confirmados desde o início da pandemia. O SARS-CoV-2, agora na variante Delta, continua a disseminar-se e o número de internados voltou a subir. Ontem eram 617 (mais 18 face a quinta-feira), dos quais 141 em unidades de cuidados intensivos (mais cinco do que na véspera).

Pelo que sabemos ao dia de hoje, vamos ter de nos habituar a viver e a trabalhar com este bicho. Tal como a gripe nunca desapareceu, este vírus (ainda que bem mais agressivo), poderá tornar-se endémico.

Manter a economia fechada não é solução para garantir a vida das empresas, dos postos de trabalho e das próprias pessoas. Ou aprendemos todos a viver de forma diferente, mais cautelosa, prudente e consciente ou acabamos por não morrer da causa, mas morrer da cura. Hotelaria, restauração, comércio, serviços e até a indústria e a agricultura precisam de um novo oxigénio. Necessitam de voltar a laborar na força máxima, com toda a mão-de-obra focada na missão e nos resultados, em vez de continuar a dispender energias com os medos, as ansiedades e as curvas e contracurvas de uma pandemia que teima em persistir.

São cada vez mais as vozes que pedem uma revisão da matriz de risco. Na prática, consideram determinante uma nova forma de olhar os números, analisá-los e colocá-los em perspetiva face ao passado. A vacinação está em forte aceleração (já são já inoculadas mais de 150 mil pessoas por dia), já não morrem tantos portugueses por Covid-19 como nas vagas anteriores, nem os cuidados intensivos estão à beira do colapso, como já sucedeu. Ninguém quer viver, de novo, os tempos em que assistimos a filas de ambulâncias à porta dos hospitais, como sucedeu no Santa Maria, em Lisboa, mas também ninguém quererá ver um país na miséria e sem pilares fortes sobre os quais se construirá o futuro.

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