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Pedro Pita Barros

A discussão da ADSE: mais uma vez e sem novidades

A ADSE é um assunto que volta à discussão pública em ciclos de 3 a 5 anos. E cada ciclo repete os mitos e problemas do ciclo anterior. Este novo ciclo não está a ser diferente. Vou dedicar os minutos de hoje a três elementos.

Primeiro, a ADSE como forma de ir buscar mais dinheiro para o setor da Saúde. Ora, se for obrigatória, de forma a que todos contribuam é como se fosse um aumento de impostos, porque é então melhor o sistema de contribuição da ADSE? Se for uma contribuição voluntária, como seguro público, e sendo uma percentagem dos rendimentos do trabalho, como se tratam quem, voluntariamente ou não, não trabalha? E se for voluntário, porque não descobriram os seguros de saúde essa fórmula? Mais, como a ADSE se tem que equilibrar aumentando as contribuições se for preciso, ou reduzindo as coberturas e comparticipações, o que defendem a este respeito as propostas que surgem? Sem responder a estas perguntas, defender a abertura da ADSE a todos não se sabe bem o que seja.

Rodrigo Tavares

Temos Bons CEOs em Portugal?

Em Portugal há 1,3 milhões de empresas (dados Pordata ). Dessas, 59 são listadas em bolsa tendo acionistas pulverizados por todo o mundo. Eu, filho de um empresário, há muito reformado, que trabalhou toda a vida no mesmo grupo, uma das joias da indústria portuguesa, cresci a escutá-lo ao telefone. Era uma geração que gostava da clareza da hierarquia, do tradicionalismo dos procedimentos, e da afinidade com o comendador local. Eram poucos os que tinham formação específica em gestão de empresas ou cultura multinacional.

Fernando Ribeiro

Vossa Inselência sofre de fartura

Os programas que sempre me "fizeram" mais nervos na Televisão são aqueles de questionário, tipo Joker ou Quem quer ser milionário. Não é que saiba tudo, calma aí, mas muitas vezes me irritei por saber mesmo a resposta e ver o pobre concorrente espalhar-se, sem honra ou dinheiro. Num programa desses, há vários anos, exibiram-se alguns concorrentes especialistas nesta ou naquela matéria. Assisti por acaso à prestação de uma senhora, que se apresentava como especialista em Eça de Queirós mas que não foi muito longe porque lhe faltava algum domínio da obra em questão. Essa obra era o díptico Civilização/As Cidades e as Serras que juntamente com a história de Artur Corvelo, o poeta da Capital, constitui, para mim, o génio mais brilhante do autor que não fora Português seria admirado universalmente, ao nível de um Balzac que tanto citava, de Victor Hugo ou até de Machado de Assis, este último que lhe escrevia cartas indecorosas a corrigir semântica e gramática. Se a literatura fosse um ringue de boxe, o nosso diplomata venceria o autor do Brasil por K.O. ao primeiro assalto.

José Cutileiro

Coisas de cá e lá fora

Não vi o Expresso de há duas semanas mas li o Vasco Pulido Valente segunda-feira no Público e encontrei lá o Nuno Bragança. Ao contrário do Vasco eu gostava do Nuno e do que ele escrevia; acho que a primeira linha de A Noite e o Riso- « Criado embora entre hálitos de faisão, cedo me desembaracei na arte de estender os braços.» - ficará pequenina pérola da nossa literatura. E achei bons esse seu primeiro romance e o terceiro, Square Tolstoi; o do meio tinha tanto em directo, chamava-se Directa,da vida do Nuno (e da Leonor) que decidi a certa altura parar de o ler e não sei avaliá-lo.

Daniel Oliveira

A luta de classes no ensino superior

O estudo do Projeto EDULOG, da Fundação Belmiro de Azevedo, divulgado nos últimos dias, mereceu uma reflexão de Daniel Oliveira sobre o acesso, mais ou menos facilitado, a ferramentas que potenciam o rendimento escolar. De acordo com os dados obtidos, "os alunos de famílias mais favorecidas entram nos cursos de maior prestígio e com médias mais altas". Por seu lado, "os de famílias mais pobres vão para os politécnicos e para os cursos com médias mais baixas".