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José Cutileiro

Viagem na minha terra

Nota introdutória Este título ignora que a Vera tem relação especial com os escritos do autor de Frei Luís de Sousa. Desencantou em casa manuscritos dele que acrescentam ao espólio do homem que inventou o português que nós falamos. Sem Garrett antes, Eça não poderia ter encantado tanto tantos de nós nem haveria porventura, no pior dos casos, passado do janota do Porto que o meu chorado amigo Carlos Leal insistia erradamente em desprezar nele. Vá lá saber-se. Por mim devo confessar que Camilo (Castelo Branco) - é com ele que a comparação era feita em serões de província, alguns ainda iluminados a petróleo - me fascina às vezes - o fim de A Sorte em Preto, por exemplo, é uma pequena joia - mas que, na maior parte das vezes, me aborrece. Garrett e depois dele, mais ainda, Eça, purificaram o dialecto da tribo, expressão de Mallarmé que T. S. Eliot tirou do esquecimento ao metê-la na língua francados nossos dias. Entretanto, deste lado do mar não tivemos James Joyce, Marcel Proust ou Graciliano Ramos. O Zé Cardoso Pires foi o que mais perto dessa limpeza andou, sobretudo em Lisboa livro de bordo.