Destaques

Mais Opinião

José Cutileiro

Guerras

Leio no jornal que americanos, russos e chineses trabalham em mísseis hipersónicos capazes de viajar a mais de 15 vezes a velocidade do som, de atingir num quarto de hora alvos russos ou chineses se forem americanos (ou americanos se forem russos ou chineses), levando cargas explosivas e podendo perfurar as paredes mais resistentes de abrigos atómicos subterrâneos ou as couraças de porta-aviões americanos. Leio também que, ao contrário do que acontecera a partir de certa altura durante a guerra fria, não há conversas entre os protagonistas para criar regras de protecção mútua que ajudassem a lidar com acidentes ou mal-entendidos. Nesse como em qualquer género de armamento, os americanos de Trump não estão interessados em nada que cheire a prevenção e os outros tampouco insistem.

Fernando Ribeiro

Portuguese Ninja Warrior

Há um concurso desportivo muito famoso nos EUA que se chama American Ninja Warrior. Foi lançado em 2009 e passados dez anos continua no topo das preferências do país onde se vê mais televisão. Consiste num percurso de obstáculos complicado, que uma série de "atletas" tenta ultrapassar até tocar uma campainha que dá ordem para soltar o fogo de artificio, chegados à ultima plataforma. O prémio final é um milhão de dólares. Espero, no caso de nunca terem visto este programa, que fiquem com a ideia.

Rodrigo Tavares

Precisamos de avaliar o desempenho dos deputados

O eleitorado já sinalizou. Os partidos já perceberam. O Presidente da República já alertou. A descrença no funcionamento da democracia portuguesa está a começar a atingir níveis inquietantes. São 83 em cada 100 portugueses a não confiar nos partidos ( dados POP - Portal de Opinião Pública ) e 69 eleitores em 100 a não votarem nas últimas eleições Europeias. São números mais pontiagudos do que em quase todos os outros países europeus.

Nádia Piazza

"Cada macaco no seu galho"

Num artigo publicado no Observador intitulado "O País onde não se pode fazer discursos", Maria João Marques remete para o tamanho alarido gerado, de uma ala a outra, em Portugal, a propósito do discurso pouco ortodoxo de João Miguel Tavares, jornalista, outrora padeiro em Portalegre, aquando das comemorações do 10 de junho, para alguns intelectuais de plantão, concluindo que - e vou parafrasear - "o "cada macaco no seu galho" não é exatamente uma ideia consonante com uma democracia, onde se defende que cada macaco pode aspirar a qualquer galho. É antes uma visão do mundo profundamente reacionária e, ela sim, antidemocrática".

José Cutileiro

A visão do saguão e o instinto da porta de serviço

Quando era diplomata, lembro-me de ter achado de vez em quando que quem mandava em nós - os nossos chefes políticos - abundava nesses atributos pelintras porventura impostos pela miséria da pátria (várias bancarrotas desde o liberalismo monárquico até à república de Abril, sempre vistas como pecaminosas por protestantes do Norte). A visão do saguão e o instinto da porta de serviço não são manhas de pobre - essas também por cá as temos - são, por assim dizer, coordenadas cartesianas do modo subalterno de viver. Vêm juntas com a desconfiança do dinheiro de muitos católicos - por exemplo, do Papa Francisco - e também de muitos comunistas, como aquele, à época secreto no Portugal de Salazar, que me louvava, contristado, comadre sua comerciante, diligente e cada vez menos pobre: "É boa rapariga a Antónia; só tem aquela coisa do lucro...".

Fernando Ribeiro

Diz-me onde começa a tua liberdade para eu saber onde acaba a minha

Alegadamente o vocalista dos Rammstein, Till Lindemann, agrediu um indivíduo no passado dia 8 em Munique, no bar de um hotel, depois do seu concerto no estádio da cidade bávara (Olympiastadion). As noticias que saíram dão conta de que, segundo testemunhas oculares, esse indivíduo procurou o vocalista para o provocar de forma aberta, "oferecendo mais dinheiro" pela namorada do Till a quem, inequivocamente, chamou prostituta. Till, exigiu um pedido de desculpas, não à sua pessoa, mas à vítima da injúria: a sua companheira. O sujeito recusou-se a fazê-lo e cerrando o punho desafiou o cantor que lhe deu uma cotovelada na boca. O indivíduo foi transportado ao hospital para ser assistido, a banda seguiu em sua tour e o vocalista dos Rammstein enfrenta agora, segundo a Imprensa, uma ação criminal por tentativa de agressão.

José Cutileiro

Notre-Dame e o resto

O Presidente Macron fez o que pôde para trazer o Papa Francisco a Paris no rescaldo do incêndio de Notre Dame mas o Papa que não só não é italiano mas tampouco é europeu, não se deixou convencer. Se tivesse vindo ajudaria talvez também a fazer esquecer em peitos fieis franceses as suas manifestações de amizade por Cardeal francês, compincha de longa data que muito o ajudou a subir ao trono pontifício, condenado há pouco em primeira instância em tribunal francês por ter protegido padre pedófilo, que Francisco recebeu em Roma recusando-se a aceitar a sua demissão (há apelo e há presunção de inocência, sublinhou o Vaticano). Macron, que precisará de legitimidade quase divina para conquistar de novo legitimidade eleitoral, há de ter ficado desapontado (decidira fazer-se baptizar aos 12 anos contra a opinião de pai livre-pensador; ultimamente diz-se que pende para o agnosticismo mas o ponto evidentemente não é esse - é a política: trazer o Papa a Paris teria aumentado a sua cota na França profunda e na outra).