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José Cutileiro

Mais um bey de Tunis!

Prometi ontem ao almoço no bar do Ritz à Vera que ela teria hoje até ao fim do dia, sem falta, na sua casa da rua dos Caetanos, esta folha de bloco-notas, para depois procurar ilustração condigna. Não contei com já não vir a Portugal há quase seis meses, o país ter entretanto mudado, as mudanças serem no geral para pior e uma delas residir exactamente na qualidade do bacalhau à Braz do Ritz, que piorou escandalosamente desde a última vez em que eu o tinha lá ido comer, excursão até ontem sempre feita, de há muitos anos para cá, com o sossego de espírito dado pela certeza antecipada de coisa boa ao fim da viagem. Papa dôce que acabou. Um dos segredos do bacalhau à Braz é a espessura dos bocados de bacalhau que nele se metem com os ovos e a batata finamente cortada. Para se fazer justiça ao nome do prato tem de se sentir o bacalhau mas se este se sente demais, se as fibras são demasiado espessas, estraga-se o equilíbrio dessa joia da nossa culinária, quebra-se o encanto - e foi isso que aconteceu ontem ao almoço no bar do Ritz.