Padre António Vaz Pinto: inteligência e sentido de humor

Morreu na sexta-feira o Padre António Vaz Pinto. No site dos Jesuítas, o Ponto SJ, o texto que acompanhou a notícia resumia bem a sua vida: "uma vida cheia e intensa."

Para crentes e não crentes, este Jesuíta foi, entre tantas coisas, uma voz doce e serena na rádio a fazer-nos reflectir ao longo de tantos anos ou o Alto-Comissário para as Migrações e Minorias Étnicas.

Como lembrar o Padre António? Eu gostaria de destacar duas características: sentido de humor e inteligência.

O Padre António, tal como os seus irmãos, incluindo o meu sogro Gonçalo, adorava partilhar uma boa história e uma boa gargalhada. Perdi a conta ao número de vezes que me fizeram rir.

Em segundo lugar, a sua inteligência e vontade de debater de forma fundamentada.

Converti-me ao Catolicismo em adulta fiz todo o percurso até ao baptismo com ele. E, se me pedissem para escolher apenas uma memória sua seria, sem dúvida, a memória daquela nossa primeira conversa formal, o meu pontapé de saída.

Ora bem, para preparar a dita primeira conversa formal o Padre António indicou-me várias leituras. Na verdade, a conversa inicial só faria sentido quando eu tivesse muitas dúvidas. Para quem gosta de estudar como eu foi ouro sobre azul. Mergulhei por completo e fui muito, mas muito mais além.

Nessa conversa o Padre António começou por perguntar quais eram os meus comentários e as minhas dúvidas. Peguei na minha Bíblia, coloquei-a em cima da mesa e os post-its eram tantos e tão coloridos, que quase não se via o papel. Dei início às hostilidades.

Muitos provavelmente teriam esmorecido com a quantidade e a intensidade das minhas perguntas. Mas não o Padre António. Sorriu e disse-me "vamos a isto!"

Ter prazer em debater ouvindo o outro, ter prazer em não fugir dos temas difíceis é, hoje em dia, uma qualidade que nos faz muita falta.

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