Padre Luís - Mestre Escola

O nosso país depara-se com um problema que grassa de ano para ano, período para período - a escassez de professores, uma dura realidade que se pretende mitigar no próximo ano letivo, em legítima defesa do acesso de todos à Educação. É necessário aplicar medidas assertivas e duradouras, por forma a reverter uma situação que, a prolongar-se no tempo, terá consequências nefastas para os alunos, futuros cidadãos ativos e de plenos direitos.

Este facto faz-me recuar ao século XIX, precisamente a 19 de maio de 1872, data de nascimento de Luís Gonçalves de Pinho Rocha. É justo reconhecer mérito a quem dedicou a sua vida a ajudar os outros, fazendo da Solidariedade e Educação dois baluartes para o engrandecimento de um compromisso assumido na pessoa singular e no coletivo, em detrimento do egoísmo que hoje predomina entre alguns de nós.

Este sacerdote, conhecido por Padre Luís, embora oriundo de Oliveira de Azeméis, fixou-se em Vila Nova de Gaia, mais concretamente na freguesia de Oliveira do Douro, onde ensinou muitas crianças a ler e a escrever, a brincar, a ser responsável e a crescer com valores, deixando um legado inigualável, cuja missão é continuada por sucessivos conselhos de administração que, de forma graciosa, dirigem os destinos de uma Fundação de referência.

O legado do Padre Luís, com as devidas proporções temporais e conjeturais, assemelha-se aos ensinamentos que os docentes de hoje transmitem aos seus alunos, capacitando-os e dando-lhes ferramentas, capacitando-os para o mundo, pois o amanhã será cada vez mais desafiante e exigente.

Naquele tempo, algumas crianças com 12 anos (e de menos idade) já trabalhavam no duro, abandonando precocemente a escola para ajudar a minimizar a pobreza existente nos seus lares. Felizmente, este cenário é já passado e os alunos atuais frequentam os estabelecimentos de ensino pelo menos até ao 12.º ano ou aos 18 anos de idade. O pedagogo que aqui distingo escolarizou centenas de alunos, preparando-os com rigor e entrega para terem sucesso no exame da 4.ª classe, mas também o êxito profissional, assim como na vida pessoal e social.

O Padre Luís, personalidade ainda hoje muito presente na memória de todos que com ele tiveram a honra de privar ou de conhecer, simboliza a crença e a dedicação dos nossos profissionais da Educação (professores, técnicos especializados, assistentes técnicos e operacionais...), que mais do que transmitirem conhecimentos aos alunos, ensinam-nos a aprender ativamente, promovem princípios e valores, escutam e auxiliam, numa ação diária com plena abrangência, que os tornam incontornavelmente figuras de referência.

A Fundação Padre Luís continua a respeitar os termos do testamento deixado pelo "maior Homem de Oliveira do Douro", como na época diziam, mobilizando dinâmicas excecionais.

Devemos saber perpetuar nos nossos corações e nas nossas práticas o que de melhor estas figuras ímpares nos souberam pontificar - a solidariedade, a amizade e a partilha na construção de uma comunidade melhor.

Nos dias que correm, os professores merecem que lhes seja reconhecido convenientemente o trabalho que desenvolvem e o seu comprometimento com a docência, continuando a responder de forma exemplar às diversas tarefas que lhes exigem, integrados um sistema educativo cada vez mais complexo, burocrático, controlador e, por vezes, excludente, que não pode esquecer que a preparação do futuro cidadão passa pela sala de aula, pela motivação dos seus profissionais, pelo orgulho na carreira que escolheram.

Isso nos ensinou o Padre Luís, que recordo com saudade e grande estima.

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