Parar, simplificar e melhorar!

As escolas permanecem envoltas numa intensa carga burocrática, que obriga os seus profissionais a verem o trabalho aumentado, nada condizente com as suas funções primordiais, e que lhes retira energia e tempo, não remunerado, para aquilo que deveria merecer a atenção máxima do sistema educativo: ensinar.

As plataformas proliferam e são acedidas numa frequência vertiginosa por professores e diretores, a quem é exigido cumprimento de prazos inclementes, alguns humanamente impossíveis de satisfazer, que contemplam sábados e domingos, como se o fim de semana não fosse por direito um período de descanso para e em família, que permite respirar perante o sufoco burocrático e as premissas de uma profissão desgastante. Numa época cada vez mais digital, a papelada ainda impera quer nos espaços das escolas quer em casa dos profissionais e, a avalancha de pedidos de dados por diferentes direções gerais, sobre o mesmo assunto, repete-se, ano após ano.

Para além da necessidade de desburocratizar a Educação, é vital que as escolas possam encerrar 2 semanas em agosto, mês de férias por inerência da profissão, mas que nem todos podem usufruir.

Estes, entre outros, são dois assuntos que devem fomentar uma ação efetiva e justa da nova equipa ministerial, deliberação que agradaria sobremaneira aos profissionais que labutam diariamente nos estabelecimentos de ensino.

A híper burocratização é característica de um Estado centralizador, que a partir de um dado local (normalmente a capital) reivindica o controle da totalidade do que tutela, sem ganhos percetíveis para a comunidade onde a atividade é desenvolvida. Quem tira proveito desta situação? A Educação não, seguramente, pois, para além do mais, afigura-se um enorme entrave para o trabalho desenvolvido pelos professores e diretores. Quem comanda as diferentes áreas de um governo, deve preocupar-se em atribuir condições de trabalho que facilitem e favoreçam um desempenho de excelência dos respetivos profissionais.

As escolas são espaços físicos que necessitam de tempos de paragem (pausas letivas). Sabendo que o seu encerramento por 2 semanas em agosto (mês em que quase tudo para) foi um objetivo de alguns ministros da Educação, o certo é que nenhum conseguiu atingir este desiderato, que colheria o agrado de muitos e sem prejuízo para quem quer que fosse. A flexibilidade deverá também percorrer a necessidade que impõe a mitigação da sobrecarga exponencial de missões impostas aos profissionais da Educação, respondentes diários a tarefas imensas e intensas, que cumprem ainda com vigor e audácia, fruto da resiliência e estoicidade que os caracteriza.

A Educação permanece firme no caminho que se propõe trilhar, encorajando a construção de um futuro sustentado e promissor, ciente que há ainda muito a calcorrear. Parte desse percurso é partilhado a dois, pois não só depende de quem nos tutela, mas também de nós (como se depreende facilmente dos casos aqui expostos), outra está nas mãos de terceiros, a quem nos propomos demonstrar a inevitabilidade de mudança.

Simplificar e não burocratizar a Educação é uma premência que urge implementar com medidas concretas, de modo a rentabilizar o esforço imenso que professores, diretores, técnicos especializados, assistentes técnicos e operacionais e demais profissionais investem nas múltiplas tarefas desenvolvidas, dia após dia, no local onde, para além de ensinarem, contribuem para a felicidade das crianças e dos alunos. Que os ajudem a ajudar!

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