Percebemos mesmo?

O que é que aprendemos um ano depois de todas as perguntas, de todas as dúvidas, de todas as incertezas e dos sopapos sem memória que levámos? Que passos demos para "fazer um Portugal com futuro"?

A citação e o apelo são do Presidente da República, que há precisamente um ano, nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, incitava a acordarmos para a nova e estranha realidade trazida pela pandemia e a aproveitar para "começar de novo", sem espaço para "cálculos pessoais" ou a "fazer de conta que o essencial está já adquirido".

Perguntas feitas então. "Percebemos mesmo o que se passou e se passa ou preferimos voltar ao passado? Percebemos todos que a pandemia não terminou e estamos longe do fim da crise? Percebemos mesmo que a pandemia foi global, exacerbou egoísmos e intolerâncias, parou economias, refez fronteiras, congelou comércios ou pensamos que tudo foi um exagero político e mediático?".

Um ano depois, que respostas tem Marcelo Rebelo de Sousa para dar às suas próprias perguntas? Quando reconstruir, para além do que éramos, exige envolvimento cívico e mobilização que nem a sociedade civil nem os atores políticos parecem conseguir demonstrar.

Parece um retrato negro do país que somos. Mas convém refletir nas questões e começar a ensaiar respostas, sobretudo num ano que volta a ser marcado pelas angústias e os jogos de sombras para a aprovação do Orçamento do Estado, num ano em que começam as chegar as verbas a fundo perdido que podem ajudar a transformar o país ou a sermos mais do mesmo, num ano com eleições autárquicas para eleger aqueles que verdadeiramente devem estar próximos das populações e dos seus problemas.

Percebemos mesmo?

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